sexta-feira, 16 de março de 2012

O fino sessentão

Monique e Pedro
No final dos anos 70, uma campanha dos cigarros Chanceller causou sensação nos quatro cantos do país. O modelo da campanha era Pedrinho Aguinaga, considerado, naquela década, o mais bonito do Brasil. Além de garoto-propaganda de cigarro, ele foi modelo, astro de bailes de debutantes e ator de filmes nacionais. Virou a cara do cigarro Chanceller, sob o slogan “O fino que satisfaz”. Foi noivo da então modelo iniciante Monique Evans, com quem teve um filho. O casal era considerado o exemplo de beleza jovem do Brasil. As mulheres o cobiçavam e os homens o copiavam.

Mas hoje muita gente se pergunta por onde anda o moço. De lá pra cá muita água rolou: cigarro deixou de ser chique e passou a ser condenado na sociedade, Pedrinho sumiu da mídia, Monique ficou, digamos, um tanto quanto aloprada, embora seu nome sempre tenha se mantido nos programas e colunas de fofoca. É comum vê-la na TV. Mas de Pedrinho pouco se fala. As ex-cocotas ainda suspiram ao se lembrar dele. Fazendo uma rápida pesquisa na internet (e onde mais?), foi possível descobrir que ele está muito bem, obrigado.


"Eu tive que fumar quase cem cigarros para fazer aquela foto clássica, que estampava outdoors no Brasil inteiro. Depois fiquei dias no hospital, completamente intoxicado por aquela fumaça toda", contou ele ao site acritica.com. "Com a consciência que tenho hoje de todos os malefícios do cigarro, eu jamais faria. O ideal seria se você conseguisse fumar três por dia, mas é impossível".

Com Vera Fisher na capa de Fatos e Fotos
Filho de pai brasileiro (Fernando Aguinaga, o 'Barão') e mãe americana (Claudine), Pedrinho nasceu no Rio, em 20/02/1950. Aos 20 anos, se inscreveu num concurso de beleza masculina na TV Tupi (coisa inédita naquela época), no programa de Flávio Cavalcanti. A idéia era conseguir uns trocados, mas Pedrinho ganhou a primeira etapa, resolveu continuar na disputa e algumas semanas depois foi eleito “o homem mais bonito do Brasil”. Dali em diante, virou lenda. Podia ser visto nos embalos do Studio 54, em Nova York, ou em alguma boate da moda em Paris. Fez vários comerciais, participações em programas e até na novela Locomotivas (1977), além de vários filmes, entre eles o polêmico Rio Babilônia (1982, de Neville de Almeida), onde protagonizou uma cena de sexo a três numa piscina, junto com Joel Barcellos e Denise Dumont.

Também colecionava conquistas amorosas, coisa que não era nada difícil com a estampa que Pedrinho ostentava. Não havia mulher que não o desejasse. Nem isso fez com que ele - que se confessa um conquistador inveterado - se deslumbrasse. Do dentista ao cardiologista, não marca consulta, é atendido por amigos. Caminha todos os dias, só se locomove de bicicleta e faz meditação. Isso é que é simplicidade! E ainda assim, mantém a mesma elegância da década de 1970. Tão diferente dos arrivistas de hoje, que se vendem por uma capa de revista, querem alardear um "talento" que não possuem e uma beleza fake que só funciona em reality shows. E ainda fazem qualquer coisa por 15 minutos de fama na TV. Bem disse Arnaldo Bloch: "Não há roupa ou fantasia que dê jeito quando, na alma, falta classe". Mas isso Pedrinho, mesmo sessentão, tem de sobra.


Em entrevista à revista Quem (16/09/2004), ele disse que se sentia realizado. "Sou alguém que não pode reclamar da vida. Se reclamar, manda me internar que estou maluco". Bem humorado, também disse que se considera PHD: "Por Hora Desempregado', explicou. "Vivo bem porque tenho saúde. Grana tenho muito pouca, mas quero pouco. Não tenho necessidade do carro do ano. Tenho outros valores. Sou um playboy do bem. Nunca magoei as pessoas na minha 'playboíce'. Nunca quis nada que não fosse meu. Minha vida é privilegiada. Se tiver necessidade de ter alguma coisa a mais vou fazer esse movimento e conseguir o que quero".

Em 2011, no São Paulo Fashion Week, posando para campanha da grife Reserva
Confira algumas propagandas do "fino que satisfaz", publicadas em várias revistas brasileiras entre 1977 e 1979:





quarta-feira, 14 de março de 2012

O sucesso musical pertinho de Elizângela

"Menina, eu tinha 21 anos ali! Faz muito tempo, cara". Foi o que disse a atriz Elizângela sobre o clipe da canção Pertinho de Você, em uma entrevista para o jornal Estadão em novembro de 2008, exatamente 30 anos após o lançamento da música. Muita gente não sabe, mas a atriz, que começou muito cedo, foi responsável por uma façanha ímpar na indústria fonográfica brasileira no final dos anos 70: vendeu mais de 1 milhão de cópias do compacto simples Pertinho de Você, composição de Hugo Bellard. Vale lembrar que naquela época quem conseguia vender 100 mil discos já podia se considerar um felizardo. Imagine 1 milhão!


Pertinho de Você, lançadopela RCA, foi o compacto mais vendido de 1978, ficou entre as mais tocadas por 54 semanas no Brasil e é recordista de audiência no ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição). O feito de Elizângela nunca foi superado e nem será, pois os compactos saíram de linha há décadas no Brasil, quando o CD invadiu o mercado e o vinil virou peça de museu. O mais engraçado é que nessa história de sucesso musical nada foi planejado. Na verdade, tudo começou de brincadeira. Elizângela e seu então marido estavam na casa do produtor musical Hugo Bellard, no Rio de Janeiro, quando brincou sobre gravar um disco. Algumas semanas depois, Hugo compôs duas músicas para a atriz. Entre elas estava Pertinho de Você. O que nenhum dos dois sequer imaginava é que ali nascia o disco mais vendido no Brasil.

Hugo resolveu apostar na fita e a levou nas principais gravadoras. Ninguém acreditou no produto e todos recusaram o disco. Quando Elizângela e Hugo já haviam esquecido da gravação, o diretor da RCA ligou para Hugo perguntando pela fita. A canção foi lançada, mas sem nenhuma pretensão. Fortemente influenciado pela disco music americana (em especial a cantora Tina Charles), em poucos dias a música de Elizângela vendia cerca de 20 mil discos por semana em todo Brasil. Em 5 meses já passava de 500 mil. E em um ano ultrapassava 1 milhão.  

Elizângela chegou a gravar outro sucesso no ano seguinte: Esperando Você, lançado em 1979. Após o sucesso, a atriz sofreu pressão da indústria fonográfica e resolveu desistir do mundo da música. Dessa forma, sem poder dividir o sucesso das novelas com os sucessos dos discos, acabou por encerrar prematuramente sua carreira de cantora. Mas seu carisma e simpatia como atriz continuam inabaláveis até hoje. Sua galeria de personagens marcantes e divertidas nas novelas é imensa. Entre muitas, destacam-se a mimada Patrícia de Locomotivas (1977), a dissimulada Mariúcha de Jogo da Vida (1981), a obsessiva Marilda de Roque Santeiro (1985), a extravagante Rosemary de Pedra Sobre Pedra (1992), a fogosa Magnólia de Por Amor (1997), a chantagista Djenane de Senhora do Destino (2004), a cafetina Cilene de A Favorita, a divertida Nicole do remake de Ti Ti Ti (2010) e, atualmente, a Íntima de Aquele Beijo, cuja eterna vocação é ser 'mãe de miss'.


sexta-feira, 2 de março de 2012

Que fim levou Piero Gianotti?

De acordo com a revista Men's Health, emagrecer e ter uma barriga de tanquinho é tão fácil quanto tomar um copo d'água ou piscar os olhos. Admito minha implicância com essa revista, mas as capas são revoltantes: "Sarado à base de esporte", "Coma bem & fique magro", "Corpo nos trinques em 1 mês", "Detone 4 kg em 1 mês", "Construa já o seu tanque", "Sarado em 30 dias", "Vire um paredão", "Tanque e peito de aço", "Shape de verão em 1 mês", "Perca 5kg em um mês", "Coma bem e fique enxuto", "Ganhe um tanque já", "Sarado para o verão", "Coma bem e fique forte", "Verão sem pança", "A comida boa que emagrece", "Perca 6 kg em duas semanas", "Perca a barriga já" e por aí vai. É SEMPRE a mesma coisa. Variações sobre o mesmo tema. Não entendo como os homens podem consumir essa bobagem e acreditar - ou melhor, ter a ilusão - de que terão os mesmos corpinhos dos modelos-com-barriga-de-tanquinho-e-peito-depilado que estampam as capas. 

Mas eu não sou o único que critica a revista não. Vi na internet que a Men's Health tem sido também criticada por sua incansável obsessão pelo desenvolvimento do corpo perfeito. De acordo com as críticas que li,  isso tende a aumentar a ansiedade dos homens sobre seus corpos e torná-los mais propensos a desenvolver distúrbios alimentares e a prática excessiva de exercícios. Não tenho nada contra querer cuidar da própria saúde, mas o que a revista prega é uma celebração pura e explícita do narcisismo mais exacerbado da atualidade. Os homens estão tão voltados para o próprio corpo que se bastam. Mesmo os que não seguem as dicas da revista à risca costumam comprá-la porque "dá status".


A Men's Health foi lançada nos EUA em 1987 mas só passou a ser publicada aqui no Brasil a partir de 2006. Desde então é presença marcante nas bancas. Quem passar os olhos rapidamente pode até confundi-la com uma revista gay, já que a capa sempre exibe rapazes musculosos e descamisados. (De vez em quando colocam uma mulher ao lado do rapaz só para lembrar ao público de que a revista é masculina sim). O pior é que os modelos que aparecem nas capas são tão parecidos que fica difícil distinguir qual é a edição deste mês e qual a do mês anterior. Quem determinou que os homens precisam ser todos parecidos como se tivessem saído de uma fábrica de produção em série?

Apesar de ter edições próprias em vários outros países e ser a maior revista do gênero para homens, Men's Health representa para mim o protótipo da paranóia com a perfeição do próprio corpo disfarçada de saúde e bem estar. Nada contra quem curte malhar ou viver para construir (ou tentar construir) o corpo "perfeito". Mas querer impor um padrão a todo custo é meio maçante. Até porque o dito corpo "perfeito" é algo muito pessoal. Determinar o quanto o homem deve pesar ou qual o tamanho que seu bíceps deve ter é uma coisa meio maluca. Vale lembrar que existem fatores como biotipo, genética e predisposição que devem ser levados em conta.

Eu pensei que essa paranóia toda com músculos, barriga de tanquinho, corpo ideal e dietas milagrosas - que de quebra garantem a felicidade eterna e o sucesso - fosse uma coisa relativamente recente, mas qual não foi minha surpresa ao folhear uma revista Veja de 1980 e me deparar com um anúncio (sério) hilário que dizia assim: "Emagreça! Isso vai mudar a sua vida". Duas fotos mostravam o mesmo homem, o Sr. Piero Gianotti, antes e depois do tal regime milagroso. Era o método "J. Breckenridge". O milagre podia ser aplicado a qualquer homem pelo valor de Cr$ 450,00. "Inacreditável mas verdadeiro! Fotos sem retoque!", dizia um carimbo sobre as fotos. Naquela época em que não existia Photoshop eu até poderia acreditar. Mas uma pergunta ficou na minha cabeça: que fim teria levado o "esbelto, disposto e feliz" Sr. Piero Gianotti?

(Clique na foto para ampliá-la)


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Tem Playboy no Carnaval do Brasil

Hugh Hefner

Depois de Paris Hilton e Sandy (!), a cerveja Devassa resolveu ousar na nova campanha e chamar Hugh Hefner, um verdadeiro conhecedor das mulheres, para escolher a próxima garota-propaganda da marca. 

Se é que alguém ainda não sabe, Hefner é o lendário fundador da Playboy, a revista masculina mais famosa do mundo. Aos 85 anos e ainda na ativa, o magnata americano virá para o Brasil pela primeira vez dar sua opinião sobre a nova "Garota Devassa".

Famoso por casar e descasar como quem troca de cueca, Hefner tem sua fortuna pessoal avaliada em mais de 43 milhões de dólares e vive cercado por um verdadeiro harém de coelhinhas. Foi divulgado hoje que o bom velhinho vai aproveitar a viagem ao Brasil para cair no samba. 

Embora exista nos EUA desde 1953, a primeira edição brasileira da Playboy só surgiu em 1975, com o título de A Revista do Homem (a designação original tinha sido vetada pela censura da época). Em 1977, com o gradual afrouxamento do regime militar, a revista conseguiu pela primeira vez estampar na capa a famosa logomarca de Hugh Hefner: o coelhinho de gravata borboleta. Mas só a partir de julho de 1978 a Playboy pôde estampar seu verdadeiro título nas bancas.

E como recordar é viver, vamos dar uma olhada rápida na edição de Carnaval da Playboy de fevereiro de 1980. Para começar, a garota da capa era uma ilustre desconhecida. Tanto que seu nome nem aparece. A capa anuncia ainda "As mulatas das escolas (nuas como nunca!)". Hoje em dia ninguém precisa mais comprar Playboy para vê-las nuas! Basta assistir ao desfile pela TV ou ir pessoalmente ao sambódromo.

Outros Carnavais: a Playboy de fevereiro de 1980
"Liza Minnelli, Candice Bergen, Ursula Andress, Brigitte Bardot: Veja por que 9 entre 10 estrelas do cinema preferem o macho brasileiro". Com os homens cada vez mais adeptos das lipoaspirações, depilações a laser e salões de beleza, temo que o "macho brasileiro" de hoje não seja assim tããão "macho".

"Vem aí a TV a cabo brasileira: você vê tudo o que quiser e até faz compras sem sair de casa". Se naquela época eles soubessem que com a internet poderíamos realmente ver TUDO e um pouco mais, e ainda fazer compras sem sair de casa...

Detalhe: no Carnaval 2012 do Rio, Hefner virá acompanhado de suas duas namoradas, as "coelhinhas" Anna Sophia Berglund e Shera Bechard. Nada demais para quem já teve sete (!) relacionamentos simultâneos. É mole? Como diria José Simão, "é mole mas sobe".


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Aquela do tapa-olho

Se hoje o SBT revive as reprises das reprises das novelas mexicanas - em especial as protagonizadas por Thalia - no começo dos anos 90, antes de Thalia se tornar a diva das telenovelas mexicanas, Silvio Santos presenteava o público com outras novelas daquele país. A parceria sempre foi com a Televisa, uma das maiores redes de TV no México. Logo no início do SBT, a emissora decidiu investir pesado na compra de produções mexicanas. Em 1982 estreava Os Ricos Também Choram. Em 1984, foi a vez da febre Chispita tomar conta do Brasil. Depois vieram inúmeras outras como Rosa Selvagem, Simplesmente Maria, Topázio, A Fera, Carrossel, Eu Não Acredito Nos Homens, Quinze Anos etc. Nem todas de grande sucesso, mas boa parte delas garantiu ótimos índices de audiência para o canal de Silvio Santos.

Com histórias bem leves e de forte apelo emocional, essas novelas - totalmente diferente das nossas - atraíram um enorme público brasileiro. O fato de serem novelas diferentes das nossas não as torna piores. É claro, se compararmos com produções do Brasil, as mexicanas são menos complexas, mais baratas e as histórias bem mais simples e ingênuas. Muitas vezes são engraçadas aos nossos olhos, exageradas, histriônicas e muito semelhantes entre si. O que para nós parece kitsch, para eles é absolutamente normal. Faz parte da cultura do México e é assim que as novelas fazem sucesso com o público de lá. São dois produtos diferentes, por isso acho injusto dizer que são novelas 'ruins'. São diferentes das nossas e ponto. Afinal também há um monte de novelas brasileiras ruins, nem todas são obras-primas. 

Mas eu quero falar mesmo é de Ambição, na minha humilde opinião de noveleiro uma das melhores novelas que já assisti. As pessoas têm medo ou vergonha de admitir que já viram e gostaram de alguma novela mexicana, ou de várias. Eu não tenho o menor problema com isso. No comecinho da minha adolescência acompanhei Ambição, exibida pelo SBT entre dezembro de 1991 e março de 1992. Era uma trama sensacional de suspense, cheia de reviravoltas, mistérios e assassinatos. Originalmente intitulada Cuna de Lobos e transmitida pela Televisa no México, entre 1986 e 1987, a novela hoje é considerada um clássico. Seu final (mais especificamente a última cena) é um dos mais surpreendentes da história das novelas mexicanas.


María Rubio (esq.), Alejandro Camacho e Rebeca Jones
Não vou descrever o enredo aqui porque o texto ficaria longo demais, mas posso dizer que foi a primeira (e única) novela que assisti cuja protagonista era uma vilã psicopata nos moldes de uma serial killer. Perto dela as maldades de Odete Roitman parecem brincadeira de criança. María Rubio viveu a pérfida Catalina Creel (aqui no Brasil o nome foi adaptado para 'Catarina'), que usava um tapa-olho e não hesitava em cometer os crimes mais hediondos para garantir que a herança de seu falecido marido - assassinado por ela - ficasse apenas para Alexandre (Alejandro Camacho), seu filho favorito, e nada para o enteado José Carlos (Gonzalo Vega). A parte engraçada é que Catarina sempre usava o tapa-olho combinando com o tecido do vestido.

O "tapa-olho fashion week" de Catarina Creel
O mais aflitivo é que desde o começo o telespectador sabe que Catarina é a assassina fria e calculista, mas ninguém na novela sabe. Acompanhamos seus crimes e planos diabólicos e, por incrível que pareça, torcemos genuinamente para que a mocinha sofredora, a pobre Leonora (Diana Bracho), escape da teia de maldades e assassinatos de Catarina. O público sofria junto com Leonora, era de cortar o coração. Quem quiser saber sobre o enredo detalhadamente, basta olhar na Wikipedia. Segundo o blog Televisa Brasil, um remake de Cuna de Lobos está sendo avaliado.

Em sentido horário: Alejandro Camacho,  Gonzalo Vega e Diana Bracho
Escrita por Carlos Olmos (1947-2003), Ambição era tão popular no México que na noite do último capítulo as ruas da Cidade do México, sempre cheias por engarrafamentos homéricos - ficaram desertas. Ninguém saiu de casa, todos estavam grudados na televisão. Outra curiosidade: a novela ainda contou em seu elenco com Carmen Montejo, considerada a primeira atriz do México. Tanto que na abertura original seu nome aparece assim: "Con la primera actriz Carmen Montejo".


Jacqueline Laurence em Aquele Beijo
Apesar de inúmeras brincadeiras e paródias, Ambição é um marco da teledramaturgia mexicana, assim como   a vilã Catarina Creel. E pelo visto ela fez escola, pois Miguel Falabella prestou uma singela homenagem em sua atual novela Aquele Beijo. Mirta, a personagem de Jacqueline Laurence, também usa um tapa-olho combinando com a cor da roupa. "Acho que Miguel se inspirou nela", contou Jacqueline ao jornal Extra em 01/11/2011. "E tenho amigas que quando me viram disseram: 'Igual aquela mulher da novela mexicana!'. Muita gente fala que não assiste, mas no fundo, todo mundo vê", diverte-se.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Versão brasileira... Parte 2

Há dois anos fiz um post sobre traduções inusitadas para títulos de filmes lançados no Brasil. Como sempre, os mais engraçados eram os nomes brasileiros que os filmes recebiam entre os anos 30 e 60. Não que hoje os títulos "exóticos" tenham se extinguido, mas eles diminuíram consideravelmente. Podem até não fazer a tradução literal - que muitas vezes é difícil - mas pelo menos tentam conservar a idéia original do filme. Nem sempre conseguem, isso é fato. Mas algumas tentativas são válidas.

Por exemplo, o filme Red Salute (1935), do diretor Sidney Lanfield, estrelado por Barbara Stanwyck e Robert Young, recebeu aqui no Brasil o nome "Bom Partido para Dois". A expressão red salute (que ao pé da letra é "saudação vermelha") na verdade significa o gesto de levantar a mão com o punho fechado, a saudação política dos ativistas sociais de esquerda (comunistas, anarquistas, socialistas...). O título em português, apesar de não traduzir a idéia da expressão original, brinca com a política, fazendo alusão a partido político - "bom partido", expressão também usada quando se quer ressaltar as qualidades de um(a) possível pretendente.

Sean Penn (centro) em Picardias Estudantis (1982)
Outro caso meio complicado de tradução é Fast Times at Ridgemont High (1982), de Amy Heckerling. Um dos primeiros filmes da carreira de Sean Penn, deu visibilidade ao astro, na época um jovem ator ainda desconhecido. O título brasileiro foi Picardias Estudantis, que apesar de captar bem o clima do filme, não corresponde à tradução exata. A expressão "fast times" dá margem a várias interpretações. "Fast", além de "rápido" (tradução mais conhecida), também pode significar "período de jejum", "jejuar", "a fim de diversão" e até "a fim de sexo", embora seja inegavelmente um uso antigo da palavra. Assim, "Fast Times at Ridgemont High" poderia ser traduzido como "Tempos quentes na Escola Ridgemont" ou quem sabe "Bons tempos na Escola Ridgemont", embora ainda não sejam boas opções, além de soarem meio forçadas. "Fast times", nesse caso, também pode brincar com a idéia de "período sem sexo" ou "período a fim de sexo", já que  o filme, recheado de sexo, drogas e rock´n roll, retrata as aventuras de um grupo de colegiais da Califórnia. Como fica complicado captar o clima do filme em português, o título em português virou Picardias Estudantis ("picardia", palavra totalmente datada e fora de uso, significa trapaça, pirraça, travessura, malícia).


Listei mais alguns nomes engraçados. Quem quiser pode enviar mais nomes de filmes para montarmos uma nova lista futuramente. O primeiro é o nome que o filme recebeu no Brasil, o segundo é o título original (em inglês) e o terceiro é a tradução real para o português. 

A Águia Solitária - The Spirit of St. Louis (O espírito de St. Louis)
A Comédia dos Acusados - After the Thin Man (Atrás do homem magro)
A Gaivota Negra - Frenchman's Creek (O riacho do francês)
A Lei do Mais Forte - The Oklahoma Kid (O garoto de Oklahoma)
A Morte Convida Para Dançar - Prom Night (Noite de formatura)
A Morte Ronda a Pantera - Sunburn (Tomar sol)
A Mulher Faz o Homem - Mr. Smith Goes to Washington (O Sr. Smith vai a Washington)
A Mulher que Não Pecou - Darling, How Could You! (Querida, como você pôde!)
A Vida é Uma Dança - Ten Cents a Dance (Dez centavos por dança)
Alma Sem Pudor - Born to Be Bad (Nascida para ser má)
Amei um Assassino - Kiss the Blood Off My Hands (Beije o sangue das minhas mãos)
Balas Contra a Gestapo - All Through the Night (A noite inteira)
Bonequinha de Luxo - Breakfast at Tiffany's (Café da manhã na Tiffany's)
Cativa e Cativante - A Damsel in Distress (Uma dama em desespero)
Conflito de Duas Almas - Golden Boy (Garoto dourado)
Crepúsculo de uma Raça - Cheyenne Autumn (Outono cheyenne)
Curtindo a Vida Adoidado - Ferris Bueller's Day Off (O dia de folga de Ferris Bueller)
De Amor Também se Morre - The Constant Nymph (A ninfa constante)
Drogas Infernais - The Big Shakedown (A grande extorsão / A grande busca)
Escravos da Terra - The Cabin in the Cotton (A cabana na plantação de algodão)
Esposa Improvisada - This Is the Night (Esta é a noite)
Esse Encanto Irresistível - From This Day Forward (Deste dia em diante)
Famintas de Amor - Until They Sail (Enquanto eles navegarem)
Férias do Barulho - Private Resort (Resort particular / Clube particular)
Ídolo, Amante e Herói - The Pride of the Yankees (O orgulho dos Yankees)
Ingratidão - Of Human Hearts (De corações humanos)
Minha Mãe É Uma Sereia - Mermaids (Sereias)
Mulheres Perfeitas - The Stepford Wives (As esposas de Stepford)
Música e Lágrimas - The Glenn Miller Story (A história de Glenn Miller)
Nascida Para Casar - Made For Each Other (Feitos um para o outro)
Negócio em Família - The Working Man (O homem trabalhador)
Nosso Amor de Ontem - The Way We Were (Do jeito que nós éramos)
Núpcias de Escândalo - The Philadelphia Story (A história da Filadélfia)
Paraíso Infernal - Only Angels Have Wings (Só os anjos têm asas)
Paraíso Perdido - September Affair (Romance de setembro)
Quadrilha de Sádicos - The Hills Have Eyes (As montanhas têm olhos)
Que Papai Não Saiba - Vivacious Lady (Dama vivaz)
Região do Ódio - The Far Country (O país distante)
Sede de Justiça - Midnight (Meia-noite)
Sede de Escândalo - Two Against the World (Dois contra o mundo)
Serpente de Luxo - Baby Face (Carinha de bebê)
Sublime Tentação - Friendly Persuasion (Persuasão amigável)
Tragédia no Circo - The Wagons Roll at Night (Os vagões rolam à noite)
Triunfos de Mulher - Night Nurse (Enfermeira noturna)
Tú és Única - Sinners in the Sun (Pecadores ao sol)
Vivendo em Dúvida - Sylvia Scarlett (Sylvia Scarlett)
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