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Empilhamento já!


Vivendo - ou melhor, vendo TV - e aprendendo. Esta semana eu estava assistindo ao Mais Você sem prestar muita atenção, enquanto tomava o café da manhã. De repente uma matéria sobre vício em redes sociais e aplicativos em telefones celulares me chamou a atenção. Não que eu seja um dos viciados, longe disso! Tenho enorme implicância com essa mania irritante da atualidade.

A reportagem do programa de Ana Maria Braga foi às ruas de São Paulo para testar o grau de vício das pessoas. E mostrou um jogo chamado "phone stacking" (empilhamento de telefone), para quem não consegue largar o celular ou smartphone nem na hora das refeições ou mesmo em uma mesa de bar. O joguinho funciona assim: um grupo de amigos empilha os celulares na mesa e tem que aguentar firme até o final da refeição (ou comemoração) sem checar os aparelhos. Quem não resistir e pegar o celular, perde a competição e tem que pagar a conta toda sozinho. Se todos resistirem numa boa, a conta é dividida normalmente. 

Apesar de achar uma maluquice, é muito válida essa ideia de tentar diminuir o vício que atinge grande parte da população mundial hoje em dia. Nos Estados Unidos o "phone stacking" já virou moda, mas ainda não é tão difundido aqui Brasil. Eu sou mais radical. Por mim, os bares e restaurantes deviam proibir o uso dessas geringonças, principalmente durante uma confraternização ou um jantar. Deviam pendurar umas placas assim: "Não são permitidos animais e nem celulares". Uns quinze anos atrás ninguém era escravo desses aparelhos. Era normal se reunir com amigos para almoçar, beber ou conversar sem essa ânsia doentia para olhar mensagens do Twitter ou do Facebook.

Além de extrema indelicadeza, é uma coisa totalmente fora de propósito. Outro dia eu estava em um bar com alguns amigos e observava um casal de uma mesa próxima. Os dois devem ter permanecido lá por mais de duas horas, sentados e mexendo em seus respectivos celulares. De vez em quando pediam um vinho, trocavam duas ou três palavras e continuavam com o vício eletrônico. Pareciam muito entusiasmados. Sei que eu não tinha nada com a vida deles, mas aquilo me incomodou e me deixou muito intrigado. Por que diabos um casal de namorados, jovens e bonitos, sai de casa e vai a um bar badalado e caro para ficar feito um par de idiotas, cada um hipnotizado por seu telefone celular? 

Em outra ocasião, num restaurante, um grupo de jovens em uma mesa parecia comemorar alguma data especial. Todos empunhavam seus celulares, claro. Quando os pratos chegaram (pareciam muito apetitosos, por sinal) ninguém tocou em nada. O que fizeram? Começaram a fotografar tudo, dos mais diversos ângulos. Coisa mais esquisita! Agora também é moda fotografar a comida antes de comê-la. Aliás, agora é moda fotografar TUDO pelo celular. O poste, o meio fio, a vista da janela dos fundos do quarto de hóspedes, o vira-lata no meio da rua, a xícara de café na mesa da lanchonete... 

"Quero que você desligue seu celular"
Ninguém mais parece se lembrar, mas a função primordial do telefone celular é fazer e receber ligações. Não estou cuspindo no prato em que como, afinal o celular quebra muitos galhos e tem seu lugar garantido na lista de utilidade do mundo moderno. Mas começar a viver em função disso? Conectado 24 horas por dia, 7 dias por semana? Ter a 'obrigação' de ler um e-mail de trabalho que chega às 3h30 da madrugada? Responder imediatamente as mensagens de texto de um amigo carente que resolve te contar a vida dele bem na hora da novela? Esse mundo de hoje cria as "urgências" mais malucas. Comigo não, violão. Eu mesmo nunca me dei ao trabalho de comprar um aparelho moderno e cheio de funções. Tudo o que quero (e uso) é um celular bem simples, daquele tipo que jamais será roubado onde quer que eu o deixe. Nada cobiçado, ele possui apenas as as funções básicas de um telefone móvel e é assim que eu gosto.

E aquelas pessoas que começam a telefonar para os outros antes das 8h da manhã? Chega a ser hilário. Danuza Leão explica em Na Sala com Danuza (Companhia das Letras, 2007) que é proibido telefonar antes das dez da manhã e depois das onze da noite (desde que você seja uma pessoa normal). Pena que hoje em dia ninguém respeite mais a privacidade alheia. Aliás, vale a pena ler (e reler, reler, reler) o capítulo 19 (Quem fala?), onde Danuza ensina:

Celular é uma coisa quase particular. Evite ligar para quem quer que seja, a não ser em caso de necessidade. Também não pergunte o número do celular de ninguém, a pessoa só dá se quiser. Existem algumas que dão o número para todo mundo, pois a-do-ram que, durante um almoço, o celular toque dezoito vezes, para que todos vejam o quanto elas são assediadas.

As pessoas não conseguem mais se olhar nos olhos porque eles estão sempre grudados na tela do celular, nos aplicativos, nas mensagens, nas fotos... Nos cinemas e teatros é ainda mais revoltante, fico indignado. Grande parte do público não para de checar as malditas mensagens e chamadas durante a peça ou o filme. E algumas ainda deixam o aparelho tocar! Se você não consegue ficar uma hora e meia dentro de um cinema sem olhar o celular de 15 em 15 minutos, algo está muito errado. Do jeito que estamos indo, não sei aonde vamos parar. 

Fim de uma era mesmo


Ainda nem me acostumei com a triste notícia da morte de Donna Summer, ocorrida no último dia 17, e ontem outra perda no mundo da música foi anunciada: Robin Gibb, dos Bee Gees. O trio já havia sido desfalcado em 2003, quando o outro irmão, Maurice, faleceu. Agora restou apenas Barry, o mais velho. (Andy Gibb, caçula dos irmãos Gibb que trilhou carreira solo, já havia falecido em 1988).

Donna Summer e Robin Gibb: duas perdas de maio de 2012
Uma triste coincidência que dois artistas como Donna Summer e Robin Gibb - que brilharam intensamente na época das discotecas - tenham partido quase ao mesmo tempo. Apesar de terem se reinventado após o declínio do movimento disco, no começo dos ano 80, tanto Donna quanto os Bee Gees até hoje são associados à disco music, apesar de terem superado esse rótulo há décadas.


Artistas que com seu talento (eram cantores, compositores, produtores) construíram uma carreira sólida no mundo da música, venceram turbulências em diferentes épocas e conquistaram o respeito da crítica. Afinal, não é fácil para um cantor ou grupo ser levado a sério depois de fazer imenso sucesso com hits da era disco. Donna Summer e os Bee Gees souberam fazer isso como poucos.

Donna Summer e Andy Gibb na premiação do Grammy de 1978
Donna e os Bee Gees chegaram a cantar juntos em um grande show beneficente, A Gift of Song - The Music For UNICEF Concert, em janeiro de 1979. Na ocasião, os Bee Gees foram mestres de cerimônia da festa, que aconteceu na Assembléia Geral das Nações Unidas, em Nova York. O evento abria as comemorações que declaravam 1979 como o Ano Internacional da Criança. O objetivo era arrecadar fundos para programas de combate à fome do UNICEF - órgão da ONU (Organização das Nações Unidas) responsável pelo amparo e bem-estar da criança no mundo.


Além dos Bee Gees e Donna Summer, outros grandes artistas da época (ABBA; Rod Stewart; Olivia Newton-John; Andy Gibb; Earth, Wind & Fire; John Denver; Kris Kristofferson e Rita Coolidge) também participaram do grande show. Cada um doou os direitos autorais de uma canção para o UNICEF.

No ano passado Robin Gibb fora submetido a uma cirurgia para corrigir uma obstrução intestinal (o mesmo problema que em 2003 provocou a morte de seu irmão gêmeo, Maurice). Mas depois de anunciar que estava curado, o músico descobriu um câncer no cólon e no fígado, que rapidamente se desenvolveu, agravado por uma pneumonia.

No caso de Donna, ela sofria de câncer de pulmão e acreditava ter desenvolvido a doença depois de inalar partículas tóxicas durante os ataques terroristas de 11 de setembro [2001], em Nova York. 

Além de terem atingido o auge do sucesso na década de 1970, tanto Donna Summer quanto os Bee Gees colecionaram vários prêmios Grammy e muitos milhões de discos vendidos. Ela foi a única a ter três discos duplos consecutivos em primeiro lugar na lista de mais vendidos. Foi também a primeira cantora com quatro compactos N°1 em um período de 13 meses, de acordo com o Rock 'n' Roll Hall of Fame, onde foi homenageada neste ano. Já Robin Gibb entrou para o Hall da Fama de compositores em 1994, assim como os Bee Gees foram incluídos três anos mais tarde.

Bee Gees
No Fantástico de janeiro de 1979, Cid Moreira anunciava o clipe de Last Dance, sucesso que Donna lançara no ano anterior como parte da trilha sonora do filme Até Que Enfim é Sexta-Feira (Thank God It's Friday): "Em todas as listas de Melhores do Ano em 1978, nos EUA e na Europa, em primeiro ou segundo lugar, dividindo com os Bee Gees os prêmios de voz e de discos, aparece o nome desta cantora: Donna Summer".


Donna Summer canta Last Dance no Fantástico (1979)
Na década de 1980, paralelamente aos Bee Gees, Robin decidiu investir também na carreira solo. Lançou três álbuns: How Old Are You? (1983), com o hit Juliet; Secret Agent (1984), famoso pela canção Boys Do Fall in Love; e Walls Have Eyes (1985), que emplacou Like a Fool.


O último álbum dos Bee Gees foi This Is Where I Came In, de 2001. Em 2008 Robin seguiu em sua carreira solo se apresentando em vários países e cantando sucessos seus e dos Bee Gees. O último álbum de Donna Summer, também de 2008, foi Crayons.



Laura Palmer no canal Viva


Twin Peaks, um dos maiores fenômenos televisivos mundias, voltou à programação da TV no último dia 1° de maio. A série, criada por Mark Frost e David Lynch, estreou na programação do canal Viva na nova faixa "Clássicos em Série", de segunda a sexta às 22h30, com reapresentação aos domingos às 23h. A escolha não poderia ter sido mais feliz. O Viva (canal de TV por assinatura pertencente à Rede Globo) caiu no gosto dos telespectadores principalmente por trazer de volta à TV novelas de grande sucesso como Vale Tudo (1988) e Roque Santeiro (1985), além de vários outros programas que marcaram época na emissora.

No primeiro trimestre de 2012, o Viva registrou um aumento de 56% em sua cobertura no horário nobre – cerca de 24 milhões de telespectadores - comparado ao mesmo período do ano passado. Com este resultado, o canal, há quase dois anos no ar, consolidou-se entre os dez mais assistidos da TV por assinatura.

Cultuada por uma enorme e incansável legião de fãs, Twin Peaks fez ecoar no mundo todo a famosa pergunta "quem matou Laura Palmer?". O episódio piloto da série foi exibido pela primeira vez em 8 de abril de 1990 na rede de televisão americana ABC, que acabou originando outros sete episódios que formam sua primeira temporada. A segunda temporada teve 22 episódios e foi ao ar até 10 de junho de 1991. 

Mark Frost e David Lynch
Mark Frost disse em entrevista à Ana Maria Bahiana em 1990: “No início, nós tínhamos a história do piloto, só. Porque nós não sabíamos se íamos ou não fazer uma série... Depois, a história aumentou, mas David precisou sair para cuidar de Coração Selvagem, e eu fiquei mais ou menos sozinho tendo que administrar 40 personagens diferentes que tinham, entre si, mais de 800 relações... Eu sabia onde eu queria ir, e, é claro, desde o início sabíamos quem havia assassinado Laura. E esse é o grande fascínio de uma série de TV, uma história por noite, é como Sherazade nas Mil e Umas Noites...” [Revista SET, Ed. 48 – ano V – Nº 6. – Julho de 1991]

Quando o piloto foi lançado em VHS, tornou-se um cult. Aqui no Brasil, a série só começou a ser transmitida pela Globo em 7 de abril de 1991, aos domingos, logo após o Fantástico. Devido à insatisfação com a audiência, a emissora passou a pular alguns episódios e logo depois cancelou por completo sua transmissão, criando uma verdadeira confusão entre os que tentavam acompanhar Twin Peaks. Para piorar, a dublagem continha vários erros de tradução, o que só ajudava a complicar ainda mais as coisas. Os brasileiros, frustrados, ficaram sem saber muitos detalhes da série e, principalmente, qual tinha sido seu desfecho real. (Afinal, aqueles eram tempos pré-internet...)  




Twin Peaks – “Picos Gêmeos”, uma expressão normalmente empregada para as glândulas mamarias femininas – é o nome de uma cidadezinha fictícia no noroeste dos EUA, quase encostada na fronteira com o Canadá. Sua poderosa economia gira em torno de uma madeireira. É num dos lagos que embelezam a região que amanhece o cadáver de Laura Palmer, uma loira adolescente que, além de namorada do capitão do time de futebol da escola, é adorada por todos os habitantes como um exemplo de generosidade. 
(Revista SET, Ed. 40 – ano IV – Nº 10 - Novembro de 1990)


Os mistérios envolvendo o crime afetavam direta ou indiretamente a vida de todos os excêntricos moradores da cidade, numa teia de acontecimentos bizarros e, por vezes, sobrenaturais. A Set de dezembro de 1990 trouxe uma entrevista com David Lynch feita por Ana Maria Bahiana. O diretor falou um pouco sobre a experiência com a série:

Ana Maria Bahiana – Muitos diretores são contra a TV. Você vê a TV como sendo um problema?
David Lynch – Eu também era contra a TV. E nunca havia sonhado trabalhar nela. Mas tive uma ótima experiência com Twin Peaks. Me deixaram completamente à vontade, na minha. Pude fazer tudo o que quis, dentro dos limites normais da televisão. E foi fantástico. (...) Sou apaixonado pelo conceito de telenovela, uma historia que continua. E isso eu pude oferecer: uma maneira de as pessoas conhecerem determinado personagem, que passa por tantas mudanças ao longo da história, uma coisa que você não pode fazer num filme.

"Twin Peaks é um trabalho importante da TV e faz uso do formato épico e de códigos típicos da telenovela, inspirados por dramas como A Caldeira do Diabo (Peyton Place) e combinados com uma intrincada história policial, elementos do fantástico e uma dose generosa de comédia do absurdo". (Masters of cinema – David Lynch, de Thierry Jousse, 2010). 

Como disse José Augusto Lemos na conclusão de sua matéria para a Set de novembro de 1990: "Seja como for, você nunca mais será o mesmo – desde os primeiros acordes da trilha assinada por Angelo Badalamenti, outra iluminada contribuição a esse passo decisivo na evolução humana que é transformar a televisão num veículo sensível e inteligente".

Há na internet uma infinidade de sites dedicados a Twin Peaks, com todo tipo de informação sobre a série. Desde os fatos mais conhecidos até as curiosidades mais inusitadas. Mas se você ainda não assistiu, muito cuidado com os spoilers na rede. Afinal, o grande charme da série é justamente mergulhar em seus mistérios. Fiz um apanhado de fatos curiosos (coincidentes ou intencionais) sobre a produção da série. Tomei o cuidado de não incluir nenhuma informação "comprometedora" aqui, ou seja, leia sem medo de estragar o suspense:

- A estampa do piso da Sala Vermelha é uma versão ampliada da estampa do chão da sala da casa do personagem Henry, de Eraserhead (1977), também dirigido David Lynch. A mesma estampa também aparece no casaco que Leland Palmer (Ray Wise) está usando no fim do primeiro episódio, quando ele dança com o retrato de Laura (Sheryl Lee). 

Twin Peaks (1990)

Estampa do casaco de Leland é a mesma do piso

Eraserhead (1977)


- O número de Hank Jennings (Chris Mulkey) na prisão é 24601, o mesmo de Jean Valjean em Os Miseráveis

Chris Mulkey viveu Hank Jennings
- Nunca é revelado quem de fato atacou o Dr. Jacoby (Russ Tamblyn) no episódio 7 mas, de acordo com Mark Frost, foi a mesma pessoa que matou Laura Palmer. 

- David Lynch e Mark Frost estavam trabalhando originalmente em uma adaptação para o cinema de Goddess, biografia de Marilyn Monroe escrita por Anthony Summers. Como não conseguiram os direitos do livro, o projeto no qual embarcaram em seguida, Twin Peaks, continha vários elementos da história de Marilyn - especialmente o fato de ela ter sido morta logo antes de mencionar em seu diário que iria contar ao mundo sobre o homem famoso e importante com quem estava tendo um caso. 


- O primeiro título pensado para Twin Peaks foi Northwest Passage. A personagem Josie Packard (vivida por Joan Chen) chamava-se originalmente Giovanna "Jo" Pasqualini Packard e seria interpretada por Isabella Rossellini, que na época namorava David Lynch. 

Isabella Rossellini e Joan Chen
- Sheryl Lee faz dois papéis: Laura Palmer (loira) e sua prima (morena). No filme Um Corpo que Cai (Vertigo, 1958), de Alfred Hitchcock, Kim Novak também faz dois papeis, uma loira e outra morena. Uma das personagens se chama Madeleine, e o personagem de James Stewart se chama John Ferguson. O nome da prima de Laura Palmer é uma fusão desses dois nomes: Madeleine Ferguson. 

- A personagem Madeleine Ferguson foi criada porque Lynch estava tão impressionado por Sheryl que quis tê-la regularmente na série. Outro detalhe: na trama, a personagem está vindo de Missoula. Missoula, no estado americano de Montana, é a cidade natal de David Lynch. 

Madeleine e Laura: ambas vividas por Sheryl Lee
- A população de Twin Peaks, na concepção original, deveria ser de 5120 habitantes. No entanto, na época havia uma recusa contra séries de TV com temática rural. As redes de TV temiam que a população urbana e suburbana em ascensão nos Estados Unidos não se identificassem com programas que se passassem em áreas rurais ou cidades do interior.Por isso foi pedido à rede ABC que na placa de Twin Peaks o número da população fosse 51201 em vez de 5120. No livro Visitor's Guide to Twin Peaks, autorizado por David Lynch e Mark Frost, uma nota explica aos leitores que a população era, de fato, 5120, mas devido a um erro tipográfico, apareceu 51201. 


- O piloto da série foi originalmente exibido como um filme de duas horas para a TV, mas foi depois dividido em um episódio de duas partes para a série. Houve também uma versão para o cinema do episódio piloto, lançada na Europa.


- O agente de seguros que vai falar com Catherine (Piper Laurie) a respeito do seguro forjado se chama Walter Neff. O agente de seguros desonesto vivido por Fred MacMurray em Pacto de Sangue (Double Indemnity, 1944) também se chama Walter Neff. 

- Na Alemanha, a emissora de TV RTL cancelou a série após 20 episódios devido à baixa audiência. Tudo porque a SAT1, emissora rival, havia divulgado a identidade do assassino de Laura antes mesmo do primeiro episódio ir ao ar. 

- O personagem BOB surgiu quando David Lynch viu o cenógrafo Frank Silva escondido no quarto de Laura Palmer. Lynch filmou a famosa cena onde Silva aparece atrás da cama de Laura sem ter ideia de como ou por que a usaria. Mais tarde, quando filmava uma cena de Sarah Palmer (Grace Zabriskie) sentada gritando, Lynch notou que o reflexo de Silva era visível, por puro acidente. Foi aí que o diretor teve a ideia do personagem BOB como uma espécie de espírito de outro mundo, criando assim todo o mito que envolvia a série. 

Frank Silva: BOB
- Quando Twin Peaks foi ao ar pela primeira vez nos EUA, dois livros oficiais foram lançados como  prequels (narrativas anteriores ao início da série): Dale Cooper - Minha Vida, Minhas Gravações e O Diário Secreto de Laura Palmer (ambos lançados no Brasil pela Editora Globo em 1991). O Diário foi encomendado por Lynch à sua filha Jennifer, então com 21 anos, a quem ele revelou todos os segredos de  Twin Peaks para que o livro refletisse os acontecimentos da série com precisão. 




Sexta básica de (in)utilidades


Presunto Glamuroso – Corte fatias relativamente grossas de presunto cozido. Frite cada uma de ambos os lados. Recorte anéis de pão de fôrma e deixe tostar na mesma frigideira onde foi preparado o presunto, aproveitando a gordura que sobrou. Decore as fatias com espargos fixos pelos anéis e sirva com um molho quente de queijo, que é simplesmente queijo fundido, derretido e misturado com 2 colheres de creme azedo e uma pitada de colorau.




Fonte: Dicionário do Lar – Vol. IV
Editora Logos, 1964.


Vidal Mãos de Tesoura

Nos rebeldes anos 60, a atriz Mia Farrow, estrela de O Bebê de Rosemary, a top model Twiggy e a estilista Mary Quant, que popularizou a minissaia, viraram ícones de uma era. Motivo: adotaram o corte de cabelo curtinho. O responsável pela façanha? Ninguém menos que Vidal Sassoon, o mago das tesouras. Sassoon ganhou fama internacional ao criar uma forma de penteado baseada na Bauhaus e cortes inspirados nas formas geométricas.


O papa dos cortes de cabelo modernos nasceu em Londres, em 1928, e faleceu ontem, em Los Angeles, de causas naturais, aos 84 anos. Vencedor de vários prêmios, abriu seu primeiro salão na capital inglesa em 1954 e, em 1973, lançou sua linha de produtos com o slogan "If you don’t look good, we don’t look good" (Se você não ficar bonita, nós não ficamos bonitos). "Minha ideia era modelar o cabelo, para usá-lo como uma espécie de tecido e tirar tudo que era supérfluo", contou Sassoon em 1993 ao Los Angeles Times, ao definir seu estilo.

Vidal e Mia em 1968


Vidal alforriou os cabelos femininos, que até a primeira metade dos anos 60 eram marcados por complexos e elaboradíssimos penteados. Esteticamente eram lindos, mas nada práticos. As mulheres gastavam horas e horas nos salões ou mesmo em casa, tudo para ficar com os cabelos bem armados e bufantes. E dá-lhe secador, fixador, grampos, bobs, laquê... Vidal ousou ao quebrar esse padrão e permitir que as mulheres simplesmente lavassem o cabelo e saíssem de casa. Lindas, leves e soltas. Em meio a um período histórico conturbado como a década de 1960, marcado por lutas e protestos mundo afora, essa foi a grande revolução de Sassoon.


Em 2010 foi lançado Vidal Sassoon, o Filme - Como um Homem Mudou o Mundo Com um Par de Tesouras, sobre sua vida e arte. O documentário , do diretor Craig Teper, mostra como Sassoon saiu de um orfanato para crianças judias em Londres e se tornou o maior cabeleireiro do mundo. Casado quatro vezes, teve quatro filhos. Conhecido ainda como "o fundador dos salões de cabeleireiros", o corte de cabelo curto na nuca e longo na franja foi sua marca registrada. 


Em entrevista ao jornal português Público, em 1992, Vidal disse: "Trabalhei com uma equipa maravilhosa, de que fazia parte Annie Humphreys, que se juntou a mim em 1958. Ela desenvolveu a coloração e a permanente. A combinação destes três elementos - corte, cor e permanentes - criou um look que foi copiado em todo o mundo". 

Mary Quant estreando o corte de Vidal

Vidal posa com duas modelos em 1975: cabelos na crista da onda

Propaganda dos produtos de Vidal estrelada por Andy Warhol (1985)

Vidal Sassoon (1928-2012)


Feito para a TV


John Llewellyn Moxey
Como fã de filmes americanos feitos para a TV (os populares "made for TV" ou "TV movies"), conheci desde cedo o trabalho de alguns diretores que fizeram carreira nessa área e dominaram a técnica desse formato. Um dos grandes nomes dessa área é, sem dúvida, John Llewellyn Moxey. 

Diretor de filmes de sucesso para a TV entre os anos 60 e 80, Moxey pode não ter um nome conhecido aqui no Brasil, mas certamente quem já assistia televisão algumas décadas atrás deve ter visto ao menos um de seus filmes, ou mesmo episódios de séries consagradas dirigidos por ele.

Atualmente aposentado e vivendo na enseada de Puget (costa noroeste dos Estados Unidos, estado de Washington), ele nasceu em 26 de fevereiro de 1925 na Argentina. Na época, o pai trabalhava nos negócios da família, com aço e carvão, na América do Sul. Depois de servir nas forças armadas durante a Segunda Guerra Mundial, Moxey resolveu entrar para o ramo dos filmes. Após trabalhar como editor, dirigiu vários episódios da série inglesa London Playhouse, seguida por outro programa, The Adventures of Tugboat Annie.

Sob o nome de "John Moxey", o diretor partiu para o que se tornaria seu projeto mais aclamado: The City of the Dead (1960), também conhecido como Horror Hotel, filme de terror de baixo orçamento estrelado por Christopher Lee, recém descoberto pela Hammer (lendária produtora britânica de filmes de terror).

Para uma estreia, City of the Dead fez bonito e influenciou mais diretores do que se possa imaginar. Muita gente até notou similaridades com o clássico Psicose (Psycho), de Alfred Hitchcock, lançado naquele mesmo ano. O sucesso do filme levou Moxey a dirigir vários outros trabalhos ao longo dos anos 60, a maioria para a televisão britânica.

No fim daquela década, começou a usar o nome do meio (Llewellyn) por influência da numerologia e entrou em uma fase extremamente prolífica. Tornou-se um dos diretores mais populares do programa Movie of The Week, da rede de TV americana ABC. De 1969 a 1975 a emissora exibia semanalmente um filme especialmente feito para a TV.


The House That Would Not Die (1970) foi o primeiro dos dois projetos com a premiada atriz Barbara Stanwyck e também o começo de uma longa parceria com os produtores Aaron Spelling e Leonard Goldberg. A década de 1970 não poderia ter sido mais produtiva para Moxey. Entre um filme e outro, ele ainda encontrava tempo para dirigir episódios da maioria das séries policiais como Hawaii Five-O, The Mod Squad, Police Story e Shaft, entre várias outras daquela época em diante (Missão Impossível, Kung Fu, Magnum, Miami Vice etc.).

Cada vez mais especialista em filmes de suspense, às vezes lidando com o sobrenatural, outras com a trama policial, em 1972 Moxey dirigiu Home for the Holidays (1972), um excelente suspense com Julie Harris, Eleanor Parker, Sally Field, Jessica Walter e Walter Brennan. Já em 1976 dirigiu o piloto de As Panteras (Charlie’s Angels), uma das séries mais emblemáticas dos anos 70.

Sally Field em Home for the Holidays (1972)

As Panteras (1976)
No mesmo ano também dirigiu Pesadelo no Condado de Badham (Nightmare in Badham County), drama inquietante sobre duas jovens presas injustamente em uma cidadezinha do interior (filmes sobre mulheres em prisões foram muito explorados naquela década). Muito popular na época, o filme chegou a ser lançado nos cinemas.


Ao longo dos anos 80 Moxey continuou dirigindo filmes para a TV e espisódios de séries. Em 1989 realizou seus últimos trabalhos, dirigindo vários episódios da série de sucesso Assassinato por Escrito (Murder She Wrote), protagonizada por Angela Lansbury e produzida pela CBS.

Angela Lansbury em Assassinato Por Escrito
A filmografia de Moxey inclui dezenas de títulos de filmes para a TV, além de inúmeros episódios de séries. Para os interessados, vale a pena checar a página do diretor no IMDb. Para os iniciantes, fiz uma listinha básica com 10 de seus filmes imperdíveis. Alguns foram figurinhas carimbadas nos canais brasileiros durante os anos 80 e 90, principalmente nas madrugadas. Depois, infelizmente, desapareceram dos canais abertos. Mas vários podem ser vistos pelo YouTube, no original em inglês (sem legendas).

The Cradle Will Fall (1983)

TOP 10 de John Llewelyn Moxey
  • The City of the Dead (1960)
  • Circus of Fear (1966)
  • The House That Would Not Die (1970)
  • The Night Stalker (1972)
  • Home for the Holidays (1972)
  • The Strange and Deadly Occurrence (1974)
  • Pesadelo no Condado de Badham (Nightmare in Badham County, 1976)
  • No Place to Hide (1981)
  • Morte Suspeita (Killjoy, 1981)
  • The Craddle Will Fall (1983)

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