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Salve sexta-feira 13!

Não é de hoje que certos dias ou épocas do ano têm fama de serem ruins ou trazerem má sorte. O mais famoso desses dias é a famigerada sexta-feira 13, temida pelos supersticiosos e transformada em piada pelos que não estão nem aí para lendas e crendices. Para reforçar ainda mais o mistério dessa data, o cinema americano tratou de imortalizar esse dia com a série de filmes de terror Sexta-feira 13 (Friday the 13th, 1980), protagonizada por Jason Voorhees, um serial killer que ataca jovens espevitados em acampamentos. O personagem acabou se tornando ícone dos filmes de horror.

Poucos sabem dizer qual é a verdadeira origem dessa crença no azar que a sexta-feira 13 traz. Em meio a várias explicações, ninguém consegue de fato estabelecer um porquê. Segundo Rainer Sousa, graduado em História e membro da Equipe Brasil Escola, uma das mais conhecidas justificativas para essa maldição conta que Jesus Cristo foi perseguido por volta dessa data. Antes de ser crucificado em uma sexta-feira, o salvador das religiões cristãs celebrou uma ceia que, ao todo, contava com treze participantes.

Os desavisados e espevitados jovens de Sexta-feira 13 (1980)
Mas a (má) fama da data é mesmo associada ao filme, que se transformou inesperadamente em um dos maiores sucessos dos anos 80. Curioso notar que foi uma produção barata e despretensiosa. Dirigido e produzido por Sean S. Cunningham, que já havia trabalhado com Wes Craven (papa dos filmes de terror) em Aniversário Macabro (The Last House on the Left, 1972), Sexta-feira 13 foi inspirado pelo sucesso de Halloween (1978), de John Carpenter. Filmes do diretor italiano Mario Bava, como Five Dolls for an August Moon (1970), também serviram de inspiração. Cunningham queria que Sexta-feira 13 fosse visualmente chocante.

O temido Jason Voorhees
Filmado entre setembro e outubro de 1979 e lançado em 9 de maio de 1980 (adivinhe: uma sexta-feira 13!), o filme deu origem a uma série de continuações (12 até hoje), nem todas de sucesso. O fato é que a franquia do maníaco Jason já lucrou um total mais de 500 milhões de dólares. Se isso é má sorte, imagine então o que seria a "boa" sorte!


Sucesso no mundo todo, Sexta-feira 13 dividiu a crítica, mas encontrou logo de cara uma legião de fãs e seguidores. E olha que os produtores nunca planejaram que aquele filme seria o ponto de partida para uma série de várias outras continuações. Com o tempo, essas continuações começaram a se perder e a qualidade caiu. Virou uma repetição da repetição. A fórmula, no entanto, deu muitíssimo certo ao longo da década de 1980.

Betsy Palmer vive a mãe de Jason
Betsy Palmer, que viveu a mãe do psicopata Jason, afirmou que se não fosse pelo fato de estar desesperada atrás de dinheiro para comprar um carro novo, jamais teria participado do filme. "Que bela merda! Ninguém vai assistir essa coisa", disse ela. Novamente parece que em vez de azar, o filme deu foi sorte. Até hoje Betsy é lembrada por seu papel como mãe de Jason. Rosto conhecido da TV americana nos anos 50 e 60, ela já havia participado de vários filmes consagrados como A Paixão de Uma Vida (The Long Gray Line, 1955), Os Amores Secretos de Eva (Queen Bee, 1956), O Homem dos Olhos Frios (The Tin Star, 1957) e outros. Por isso mesmo um crítico ficou tão revoltado com o papel de Betsy em uma produção barata de terror como aquela que publicou o endereço da atriz em uma revista e incentivou as pessoas a escreverem para ela protestando. Detalhe: ele publicou o endereço errado. Mais uma hilária vitória da "maldição" de Sexta-feira 13!

Kevin Bacon em Sexta-feira 13 (1980)
Outra curiosidade que nem todos sabem é que a carreira do então jovem Kevin Bacon teve seu pontapé inicial com Sexta-feira 13. Poucos anos depois ele se tornaria um dos astros dos anos 80 em filmes como Footloose - Ritmo Louco (1984), Águas Perigosas (1987) e vários outros na década seguinte.

Por esses e outros indícios, não temos motivos para temer a tão mal falada sexta-feira 13. Ela tem mais cara de amuleto da sorte do que dia de azar. Ou não?

A rainha do grito

Tony Curtis e Janet Leigh
Jamie Lee Curtis, filha do ator Tony Curtis e da atriz Janet Leigh (aquela da famosa cena do chuveiro em Psicose) ficou conhecida no comecinho dos anos 80 como "scream queen" ("a rainha do grito"). Jamie fez sua estreia no cinema em 1978 como a mocinha de Halloween - A Noite do Terror, filme de John Carpenter que virou febre e deu origem a uma série de continuações. A partir dali, Jamie se tornou, de fato, a rainha dos filmes de terror.

Jamie Lee Curtis em Halloween (1978)
Após o lançamento de Halloween, em outubro de 1978, e seu imenso sucesso (é considerado o filme independente mais lucrativo daquela época), a atriz embarcou em uma onda quase interminável de gritos em 1979. Chegou a estrelar nada menos do que três produções consecutivas naquele ano: A Bruma Assassina (The Fog), Baile de Formatura (Prom Night) e O Trem do Terror (Terror Train).

A Bruma Assassina; Baile de Formatura e O Trem do Terror
Entre abril e maio, gravou A Bruma Assassina; entre agosto e setembro, gravou Baile de Formatura (lançado em vídeo como A Morte Convida Para Dançar) e entre novembro e dezembro gravou O Trem do Terror. Todos foram lançados em 1980: o primeiro em fevereiro, o segundo em junho e o terceiro em outubro. Haja gogó para gritar em tantos filmes de uma só vez. Em todos eles Jamie viveu papéis bem parecidos: a mocinha que vê os amigos serem assassinados brutalmente e tem que lutar para sobreviver até o final.

Mas os filmes de 1980 não tiveram o impacto de Halloween. Dos três, o que se saiu melhor com o público e a crítica foi A Bruma Assassina, também de John Carpenter. Os outros dois, filmados no Canadá, não obtiveram o mesmo sucesso, embora hoje sejam considerados 'cult' entre os fãs do gênero. Como se não bastasse, em 1981 ela protagonizou mais dois filmes de terror/suspense: Enigma na Estrada (Road Games) e Halloween 2 - O Pesadelo Continua (Halloween 2). Quem pensa que os gritos param por aqui se engana. Ainda no mesmo ano ela estrelou o telefilme Death of a Centerfold: The Dorothy Stratten Story, que apesar de não ser um filme de terror, não deixa de ser uma história trágica (e real). Para quem não sabe, é sobre a breve vida de Dorothy Stratten, uma jovem garçonete que virou modelo, se tornou uma das mais famosas garotas da Playboy e acabou assassinada pelo namorado.



Embora a fama de rainha do grito tenha marcado o começo da carreira de Jamie Lee Curtis, ela também se destacou em outros gêneros além do terror e mostrou que não era atriz de um estilo só. Entre seus sucessos podemos citar Trocando as Bolas (1983), Dominick e Eugene (1988), Um Peixe Chamado Wanda (1988), Meu Primeiro Amor (1991), True Lies (1994) e O Alfaiate do Panamá (2001). Mesmo tendo provado que dava conta de papéis variados, ela ainda participou de Halloween H20: 20 Anos Depois (1998) e Halloween: Ressurreição (2002). Pelo visto Jamie ainda não havia esgotado seu estoque de gritos. "Eu apareço e faço o que tenho que fazer. E para mim precisa ser verdadeiro - qualquer coisa que eu faça, não importa o que", explicou a atriz. "Lembro que em Halloween, a primeira e única direção de John Carpenter para mim foi 'Quero que as pessoas acreditem que você é uma pessoa real'. Me preocupo sempre em tentar parecer real. E como sou corajosa, tento de tudo".

A atriz fazendo graça em 2011 ao lado do personagem de Halloween

O fino do brega

Muitos são os nomes usados em dia para se referir a esse tipo 'especial' de música: trash, retrô, cafona, cult… Ainda acho que o termo brega é o melhor. Sem nenhuma conotação pejorativa, pois sou fã assumido da chamada música brega. Aliás, na minha opinião, esse termo não a torna menos deliciosa e nem desqualifica seus intérpretes. 

Kátia; Almir Rogério e Reginaldo Rossi
É divertido ouvir e cantar essas canções que, de tão ingênuas, chegam a ser interessantíssimas. Nem todas resistiram ao tempo. Por isso mesmo fiz uma pequena lista com nomes de artistas que estiveram na boca do povo, venderam muitos discos e infestaram as rádios do Brasil. Alguns durante um período longo, outros por pouco tempo. Mas de um jeito ou de outro, até hoje quando são lembrados garantem a animação de qualquer festa. Confira a listinha básica e fique por dentro do brega mais chique do Brasil:

ARTISTA/GRUPO
HITS


Almir Rogério
Fuscão Preto; O Motoqueiro
Amado Batista
Fruto do Nosso Amor; O Lixeiro e a Empregada
Bianca
Vou Pra Casa Rever os Meus Pais; Minha Amiga
Carlos Alexandre
Canção do Paralítico; Feiticeira
Falcão
I'm Not Dog No; Holiday Foi Muito (Homem é Homem)
Fernando Mendes
Cadeira de Rodas; Você Não Me Ensinou a Te Esquecer
Genghis Khan
Genghis Khan; Comer Comer
Genival Lacerda
Severina Xique Xique; De Quem é Esse Jegue?
Gilliard
Aquela Nuvem; Pouco a Pouco
Gretchen
Conga, Conga, Conga; Melô do Piripipi
Jane & Herondy
Não Se Vá; Coisinha Estúpida
José Augusto
Fantasias; Sábado
Juanita
Eu Vou Sonhar; Dominique
Julia Graciela
Anúncio de Jornal; Eu Deixei a Minha Terra
Kátia
Lembranças; Qualquer Jeito
Lindomar Castilho
Você é Doida Demais; Eu Amo a Sua Mãe
Miss Lene
Deixa a Música Tocar; Quem é Ele
Nahim
Taka Taka Taka;  Dá Coração (Dá Dá Dá)
Odair José
Uma Vida Só (Pare de Tomar a Pílula)
Ovelha
Te Amo... Que Mais Posso Dizer?; Eu Vou Fazer a Sua Cabeça
Reginaldo Rossi
Garçom; A Raposa e as Uvas
Rosana
O Amor e o Poder; Nem um Toque
Sidney Magal
Sandra Rosa Madalena; O Meu Sangue Ferve Por Você
Trio Los Angeles
Vamos Dançar Mambolê; Transas e Caretas
Waldick Soriano
Eu Não Sou Cachorro, Não; A Dama de Vermelho


Brazilian Genghis Khan; Fernando Mendes e Trio Los Angeles
Bianca

O irresistível lado B (de brega)

Com o tecnobrega cada vez mais em alta e propagado em várias camadas da nossa sociedade, é possível observar como esse fenômeno de "ser brega" virou uma coisa pop, divertida e até aceitável nos dias de hoje. Aliás, atualmente é difícil definir "brega", especialmente na categoria musical. Na minha opinião há vários tipos de brega. Sobre o termo, a Wikipedia diz que "sua conceituação como estética musical tem sido um tanto difícil – uma vez que não há um ritmo musical propriamente 'brega' – e alvo de discussões por estudiosos e gente do meio musical. Mesmo sem ter estabelecidas características suficientemente rígidas, o termo praticamente foi alçado à condição de gênero".



Esses artistas considerados bregas começaram a invadir as nossas rádios a partir da década de 1970. Já no comecinho dos anos 80, os programas de televisão de Sílvio Santos, Chacrinha, Raul Gil, Carlos Imperial e Bolinha serviam para catapultar a carreira desses astros da canção suburbana (na época ainda não se usava o termo "brega"). Seus compactos vendiam como água. Eram os reis dos porteiros, taxistas e empregadas domésticas, entre outros.

Carlos Imperial, Chacrinha e Silvio Santos
Existem no Brasil os cantores bregas que não eram tidos como bregas propriamente. No começo eram até levados a sério, mas tornaram-se cafonas, canastrões e datados com o passar do tempo. Alguns duraram pouquíssimo. Chegaram a fazer sucesso, foram populares, venderam muitos discos, mas acabaram causando uma espécie de "ressaca" e se apagaram da nossa memória. Desse tipo existem duas ramificações: os que conseguiram voltar em grande estilo e os que permaneceram parados no tempo e foram esquecidos.


Sidney Magal
Quando a música brega passou de cafona à cult, nos anos 2000, era permitido, lícito e até cool curtir esse som. Até porque ele havia se tornado um clássico. Exemplo: Sidney Magal, Gretchen, Rosana. Uma nova geração de fãs e entusiastas passou a ouvir, homenagear e difundir esses artistas, que hoje são considerados divertidos, interessantes e garantia de festa animada. Voltaram a ser muito requisitados para shows, comerciais, aparições na TV e entrevistas.

Rosana e Gretchen, duas musas bregas dos anos 80
A outra ramificação é o tipo que ficou parado no tempo, lá atrás, e desapareceu de vez. A maioria das pessoas nem se lembra, pois eles sumiram totalmente da mídia. Exemplo: Julia Graciela, Miss Lene, Juanita, Trio Los Angeles.

Miss Lene e Julia Graciela
Juanita
Dando continuidade à vasta linhagem do brega, existem aqueles que desde o começo se firmaram no mercado musical como grandes vendedores de discos, a despeito de serem taxados de bregas. Conquistaram enorme espaço na mídia e lugar cativo no gosto popular. Exemplo: Amado Batista, Odair José, Waldick Soriano. Clássicos absolutos, nem se discute.

Amado Batista, Odair José e Waldick Soriano
Curiosamente, existem os bregas por opção. São aqueles 'fabricados' com o intuito de serem bregas mesmo. Como uma espécie de marca que levam com orgulho. Ou então reforçaram e assumiram seu lado brega, já que hoje é "legal" ser brega. Exemplo: Genival Lacerda, Falcão, Reginaldo Rossi.

Genival Lacerda
Há os bregas que, apesar de não terem a pretensão de ostentar esse título – às vezes até repudiado – vão carregá-lo enquanto existirem. Fazem tremendo sucesso e arrancam suspiros do povão. Exemplo: José Augusto, Calypso, Michel Teló.

E existem também os bregas que, décadas atrás, eram extremamente populares e até tiveram seu momento 'sério', mas a seriedade não colou. Atualmente andam sumidos e permanecem no imaginário brega nacional. Exemplo: Gilliard, Jane e Herondy, Ovelha.

Ovelha e Gilliard

Jane e Herondy
Joanna
Curioso é ver que alguns artistas fizeram o caminho inverso, involuntariamente, creio eu. É o caso de Joanna, que no começo dos anos 80 era um dos nomes da MPB que dava a impressão de que ocuparia o mesmo patamar de Gal Costa ou Simone, por exemplo. Mas hoje, sumida do showbizz há tempos, é considerada brega. Em uma matéria da Veja de 28 de janeiro de 1981, intitulada "A canção suburbana", o futuro de Joanna no brega já se insinuava: "Quem garante que uma cantora como a melosa Joanna ainda será sucesso daqui a dez anos?".

Fábio Júnior é outro que viveu (e ainda vive) o sucesso popular. Mas a fama de cantor romântico dos anos 80 rapidamente adquiriu contornos de brega. Seja como for, ele ainda se vale de sua reputação de conquistador incorrigível. Continua fazendo shows pelo país e levando mocinhas e senhoras e soltarem gritinhos apaixonados.

Como a lista de nomes do brega é vasta, na próxima semana preparo uma nova postagem com mais detalhes, nomes de artistas e seus irresistíveis hits bregas.

Porcos, elefantes e doninhas

Sissy Spacek em Carrie, a Estranha 
Depois que Carrie White levou um banho de sangue de porco durante seu baile de formatura, o cinema de terror nunca mais foi o mesmo. Precursora das vítimas de bullying, a personagem Carrie, vivida por Sissy Spacek no filme homônimo, se cansa de ser alvo constante de piadas e deboches dos colegas de colégio e decide se vingar. Como? Colocando em prática seus poderes de telecinese (a suposta capacidade de mover fisicamente objetos com a força da mente). 

O filme, baseado no primeiro best-seller de Stephen King, teve direção de Brian De Palma e foi muitíssimo bem aclamado pela crítica e pelo público. Um feito até então incomum para um filme de terror, considerado um gênero 'menor'. As atuações impecáveis de Sissy Spacek no papel-título e Piper Laurie como mãe de Carrie valeram até mesmo indicações ao Oscar de Melhor Atriz e Melhor Atriz coadjuvante para as duas, respectivamente.

O sucesso de Carrie originou uma série de pastiches, alguns bem interessantes por sinal. O primeiro deles - e um dos melhores - foi o modesto A Iniciação de Sarah (The Initiation of Sarah), feito para a TV em 1978. Novamente o mote era uma garota meio feiosa (nem tanto assim) e introvertida - a Sarah do título - desprezada pelos colegas de faculdade e constantemente ridicularizada. Mas assim como Carrie, Sarah (Kay Lenz) tem poderes paranormais e acaba dando vazão a eles quando não aguenta mais tanta humilhação por parte das esnobes e cruéis colegas.

Para piorar a situação, Sarah é irmã adotiva de Patty (Morgan Brittany), uma moça bela e muito popular entre as colegas. As duas são de irmandades estudantis diferentes. A de Patty é Alpha Nu Sigma (ANS), a mais disputada e chique do campus. A de Sarah é Phi Epsilon Delta (PED), reconhecida por sua reputação obscura e decadente. A perversa Jennifer Lawrence (Morgan Fairchild), líder das calouras da ANS, obriga Patty a humilhar a irmã em público em uma das cenas mais memoráveis do filme: ela ordena que Patty faça um juramento em público de jamais se enturmar com garotas da PED - "porcos, elefantes e doninhas" (em inglês, pigs, elephants and dogs).

Patty (Morgan Brittany) e Sarah (Kay Lenz)
Instigada e incentivada por Mrs. Erica Hunter (Shelley Winters, ótima como sempre), líder da PED, Sarah passa a treinar para controlar seus poderes e assim se vingar de Jennifer e todas as garotas da ANS. Clichês não faltam, mas neste caso eles são justamente o que mais diverte e prende o telespectador. A Iniciação de Sarah ganhou um remake em 2006 (se é que se pode chamar assim, já que não foi fiel ao original), ms obviamente não chega aos pés do primeiro, que alcançou considerável sucesso no final dos anos 70 e foi exibido inúmeras vezes na TV entre os anos 80 e 90. (A última vez que o vi na TV foi por volta de 1996, no extinto Cine Trash, apresentado por Zé do Caixão na Bandeirantes).

Mrs. Hunter (Shelley Winters) e Sarah (Kay Lenz)
O trio de protagonistas - Kay Lenz, Morgan Fairchild e Morgan Brittany - são consideradas típicas atrizes de TV americanas, todas muito populares por papéis e participações em séries e telefilmes. Shelley Winters é a única 'estrela de cinema' de verdade do filme, ainda que naquela época sua carreira se resumisse à TV. Atenção para Robert Hays, o galã atrapalhado de Apertem os Cintos... O Piloto Sumiu! (1980), em seu papel de estreia como o namorado de Jennifer Lawrence. Tisa Farrow, irmã caçula de Mia Farrow, também teve um pequeno papel como Mouse, amiga de Sarah.

Kay Lenz, Morgan Fairchild e Morgan Brittany

Mouse (Tisa Farrow)

Morgan Fairchild e Robert Hays


O fino sessentão

Monique e Pedro
No final dos anos 70, uma campanha dos cigarros Chanceller causou sensação nos quatro cantos do país. O modelo da campanha era Pedrinho Aguinaga, considerado, naquela década, o mais bonito do Brasil. Além de garoto-propaganda de cigarro, ele foi modelo, astro de bailes de debutantes e ator de filmes nacionais. Virou a cara do cigarro Chanceller, sob o slogan “O fino que satisfaz”. Foi noivo da então modelo iniciante Monique Evans, com quem teve um filho. O casal era considerado o exemplo de beleza jovem do Brasil. As mulheres o cobiçavam e os homens o copiavam.

Mas hoje muita gente se pergunta por onde anda o moço. De lá pra cá muita água rolou: cigarro deixou de ser chique e passou a ser condenado na sociedade, Pedrinho sumiu da mídia, Monique ficou, digamos, um tanto quanto aloprada, embora seu nome sempre tenha se mantido nos programas e colunas de fofoca. É comum vê-la na TV. Mas de Pedrinho pouco se fala. As ex-cocotas ainda suspiram ao se lembrar dele. Fazendo uma rápida pesquisa na internet (e onde mais?), foi possível descobrir que ele está muito bem, obrigado.


"Eu tive que fumar quase cem cigarros para fazer aquela foto clássica, que estampava outdoors no Brasil inteiro. Depois fiquei dias no hospital, completamente intoxicado por aquela fumaça toda", contou ele ao site acritica.com. "Com a consciência que tenho hoje de todos os malefícios do cigarro, eu jamais faria. O ideal seria se você conseguisse fumar três por dia, mas é impossível".

Com Vera Fisher na capa de Fatos e Fotos
Filho de pai brasileiro (Fernando Aguinaga, o 'Barão') e mãe americana (Claudine), Pedrinho nasceu no Rio, em 20/02/1950. Aos 20 anos, se inscreveu num concurso de beleza masculina na TV Tupi (coisa inédita naquela época), no programa de Flávio Cavalcanti. A idéia era conseguir uns trocados, mas Pedrinho ganhou a primeira etapa, resolveu continuar na disputa e algumas semanas depois foi eleito “o homem mais bonito do Brasil”. Dali em diante, virou lenda. Podia ser visto nos embalos do Studio 54, em Nova York, ou em alguma boate da moda em Paris. Fez vários comerciais, participações em programas e até na novela Locomotivas (1977), além de vários filmes, entre eles o polêmico Rio Babilônia (1982, de Neville de Almeida), onde protagonizou uma cena de sexo a três numa piscina, junto com Joel Barcellos e Denise Dumont.

Também colecionava conquistas amorosas, coisa que não era nada difícil com a estampa que Pedrinho ostentava. Não havia mulher que não o desejasse. Nem isso fez com que ele - que se confessa um conquistador inveterado - se deslumbrasse. Do dentista ao cardiologista, não marca consulta, é atendido por amigos. Caminha todos os dias, só se locomove de bicicleta e faz meditação. Isso é que é simplicidade! E ainda assim, mantém a mesma elegância da década de 1970. Tão diferente dos arrivistas de hoje, que se vendem por uma capa de revista, querem alardear um "talento" que não possuem e uma beleza fake que só funciona em reality shows. E ainda fazem qualquer coisa por 15 minutos de fama na TV. Bem disse Arnaldo Bloch: "Não há roupa ou fantasia que dê jeito quando, na alma, falta classe". Mas isso Pedrinho, mesmo sessentão, tem de sobra.


Em entrevista à revista Quem (16/09/2004), ele disse que se sentia realizado. "Sou alguém que não pode reclamar da vida. Se reclamar, manda me internar que estou maluco". Bem humorado, também disse que se considera PHD: "Por Hora Desempregado', explicou. "Vivo bem porque tenho saúde. Grana tenho muito pouca, mas quero pouco. Não tenho necessidade do carro do ano. Tenho outros valores. Sou um playboy do bem. Nunca magoei as pessoas na minha 'playboíce'. Nunca quis nada que não fosse meu. Minha vida é privilegiada. Se tiver necessidade de ter alguma coisa a mais vou fazer esse movimento e conseguir o que quero".

Em 2011, no São Paulo Fashion Week, posando para campanha da grife Reserva
Confira algumas propagandas do "fino que satisfaz", publicadas em várias revistas brasileiras entre 1977 e 1979:





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