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O irmão caçula dos Bee Gees

No final dos anos 70, Andy Gibb era um fenômeno da música pop, misturando harmoniosamente talento e carisma. Foi o único artista a ter seus três primeiros compactos em 1º lugar nas paradas. Apesar de seu nome ser pouco conhecido no Brasil, suas canções são ainda populares. Vendeu milhões de discos em cerca de dois anos. Tudo isso no final de sua adolescência. Soma-se a isso o fato de Andy ser o irmão mais novo dos Bee Gees, um dos mais poderosos e influentes grupos da música pop.

Mas, por trás do seu visual de teen idol e da voz perfeita, o garoto que queria "ser tudo" (como diz um de seus maiores hits, I Just Want To Be Your Everything), estava seriamente envolvido com drogas. Quando sua morte foi anunciada, em 10 de março de 1988, por problemas cardíacos em decorrência do uso de tóxicos, muitos ficaram chocados. Digam o que quiserem: tudo aconteceu rápido demais na vida de Andy...

Andrew Roy Gibb nasceu em 5 de março de 1958 em Manchester, Inglaterra, o caçula de uma família de cinco irmãos. Sua mãe, Bárbara, era cantora. Seu pai, Hugh, baterista e líder de uma big band. Como os empregos para músicos na Inglaterra estavam ficando escassos, a família se mudou para a Austrália. O que impulsionou a carreira dos seus três irmãos mais velhos, Barry, Maurice e Robin: os Bee Gees, que se tornaram um fenômeno australiano em meados dos anos 60. Pouco depois, de volta à Inglaterra, os Bee Gees ganharam status de astros internacionais. Andy estava sempre por perto, assimilando tudo.

Em 1970, hora de outra mudança, desta vez para a pequena ilha de Ibiza, na costa espanhola. Foi quando Andy teve seus primeiros contatos reais com a música, ganhando a primeira guitarra do seu irmão Barry, aos doze anos. Cerca de um ano depois, Andy fez a sua estréia num clube turístico local. No entanto não recebia pelos shows, devido à sua idade e cidadania inglesa. Andy era uma presença constante no clube, algumas vezes acompanhado pelos irmãos.

A essa altura, já estava certo de que queria ser cantor. Depois de uma rápida passagem por dois conjuntos, Melody Fayre e Zenta, Andy retornou à Austrália e começou a compor, cada vez mais determinado a seguir uma carreira solo. Em menos de dois anos, tocou em clubes e bares de Sidney e conheceu Kim Reeder, que se tornou sua esposa (quando ambos tinham apenas 18 anos).

Em 1976 Robert Stigwood, o homem que arquitetou o sucesso dos Bee Gees, ouviu algumas fitas demo de Andy e resolveu investir na carreira solo do caçula. Em pouco tempo, o recém-casado Andy estava no Criteria Studios, em Miami, gravando seu primeiro álbum: Flowing Rivers. Produzido por Barry Gibb e lançado em 1977, o álbum vendeu cerca de um milhão de cópias, tendo como hit I Just Want to Be Your Everything. A música ficou em primeiro lugar na Billboard, seguida por (Love is) Thicker Than Water. O LP teve ótimas críticas e foi indicado a dois Grammy (Revelação do Ano e Melhor Canção por I Just Want to Be Your Everything). Andy também ganhou um People's Choice Award.

Como nada vem de graça, essa relativo sucesso fácil teve seu preço: sua vida pessoal começou a passar por problemas. Ao mesmo tempo em que tinha de lidar com o assédio das fãs e o sucesso, precisava administrar sua carreira, sua vida de casado e seu papel de pai. A esposa Kim acabara de dar à luz Peta-Reeder Gibb, nascida em 25 de janeiro de 1978.

O casamento de Andy e Kim acabou naquele mesmo ano, apenas dez dias depois do nascimento de sua filha. Familiares e amigos sentiam que Andy estava indo contra quem ele realmente era. O rapaz jovem e entusiasmado ficou irreconhecível: aos 19 anos, estava envolvido com drogas e álcool. No entanto, sua carreira ia de vento em popa, e Andy seguiu em frente.


Seu segundo álbum, Shadow Dancing, cujo compacto já era platina antes mesmo do lançamento do LP, foi o mais famoso. Outros hits desse trabalho eram An Everlasting Love e (Our Love) Don't Throw it All Away. Sua turnê mundial obteve excelentes críticas e lotava arenas e estádios em vários os cantos do planeta.

Andy era presença freqüente em especiais de TV (Rock Concert, Midnight Special, Dick Clark, Olivia Newton-John Special) e programas de variedades (Donnie and Marie, Bob Hope, Dinah, Mike Douglas, Phil Donahue). Um dos pontos altos de sua carreira foi durante a turnê de 1979 dos Bee Gees, Spirits Having Flown, na qual se juntou aos irmãos no palco. Era o auge de sua meteórica carreira.

Andy com o ABBA e Olivia Newton-John em 1978
 O terceiro álbum, After Dark, veio em 1980 com os hits: Desire e I Can't Help It, dueto com a amiga Olivia Newton-John. Greatest Hits, em 1981, emplacou Time is Time. Apesar da qualidade desses trabalhos, as vendas começaram a cair. Seu problema com as drogas se agravou, e nesse mesmo ano, foi despedido por seu empresário Robert Stigwood.

Andy e Victoria Principal
Mesmo com a carreira dando os primeiros sinais de declínio, Andy ainda era atração especial em eventos, shows e programas de TV. Aliás, foi no John Davidson Show que conheceu o grande amor de sua vida, em 1981: a estrela da época, Victoria Principal (a Pamela do lendário seriado Dallas), oito anos mais velha. Os dois regravaram em dueto All I Have To Do Is Dream, dos Everly Brothers. Esse foi o último compacto de Andy.

Nesse período, trabalhou em vários projetos fora do estúdio de gravação. Foi um dos apresentadores do Solid Gold, programa musical da TV. Fez também um papel coadjuvante em um filme canadense produzido para um canal a cabo, Something's Afoot. Essa participação foi um passo para a Broadway, onde estreou como personagem-título de Joseph and the Amazing Technicolor Dreamcoat, musical escrito por Andrew Llyod Weber.

A carreira televisiva de Andy continuou, com participações especiais nos seriados Gimme a Break! e Punky Brewster (exibido no Brasil pelo SBT como Punky - A levada da breca). Em 1983, Andy excursionou om seu novo show, começando por Las Vegas. Desta vez, era um outro estilo de espetáculo, mais intimista, no qual pôde mostrar toda a sua versatilidade. Cantando seus hits e músicas antigas (Beatles, Mills Brothers, Frank Sinatra, etc.), lotava casas de show por onde passava. A turnê incluiu o Brasil, em 1984, no estádio do Ibirapuera, em São Paulo. No mesmo ano, Andy participou do Festival de Viña del Mar, no Chile, ganhando o prêmio Silver Torch.

No entanto, os anos de consumo de drogas e álcool começaram a refletir sobre a sua saúde. Em meados de 1985, o cantor procurou auxílio médico. Lutou por quase dois anos contra a dependência química. No início de 1987, entrou também para o AA (Alcoólicos Anônimos) e parecia finalmente recuperado.


Começar uma nova vida era a expectativa de Andy ao assinar um contrato com a Island Records para gravar um novo álbum. Duas músicas, compostas juntamente com Barry e Maurice, ficaram prontas: Man on Fire (só lançada em 1991 no CD Greatst Hits) e Arrow Through the Heart, que permanece ainda inédita. Infelizmente, essa volta não aconteceu. Em 10 de março de 1988 - apenas cinco dias após completar 30 anos - uma miocardite (inflamação do músculo cardíaco, causada pelos anos de abuso de drogas e álcool), pôs um ponto final na sua curta, porém, intensa vida.

"Era um grande artista, mas sem controle. Sua personalidade e emoções fortes não o deixavam lidar com o que acontecia ao seu redor, com a fama que tinha.", revelou o irmão Robin Gibb em 1997, no programa da VH1, Behind the Music. Certamente, uma das mais precisas definições sobre Andy Gibb.

Os Bee Gees compuseram a música Wish You Were Here em homenagem ao irmão Andy. A música, lançada em 1989, também foi tema internacional da novela Top Model e  obteve sucesso absoluto no Brasil, ocupando a 2ª colocação entre os compactos mais vendidos.


Colaboração:
Ana Carolina Landi (RJ)

Os 31 aninhos de Xanadu

Dirigido por Robert Greenwald para a Universal Pictures, Xanadu (1980) é um dos clássicos kitsch mais adorados do cinema. Estrelado por Olivia Newton-John (na época, a sensação do momento), Gene Kelly (um dos maiores astros de Hollywood) e Michael Beck (que, apesar de não ser necessariamente famoso, havia sido a revelação de The Warriors - Os Selvagens da Noite no ano anterior), o filme tem uma trama no mínimo inusitada: Zeus envia do Olimpo uma musa, Kira (Olivia Newton-John), para inspirar um jovem artista gráfico, Sonny (Michael Beck), desiludido com sua profissão. Sonny faz pinturas para capas de discos, mas sente-se frustrado porque seu talento não é valorizado por seu chefe tirano. Ao mesmo tempo, Danny McGuire (Gene Kelly) é um empresário aposentado também frustrado por ter deixado de lado seu passado de músico em Big Bands. Sonny conhece Danny por acaso e os dois tornam-se amigos. Kira aparece para inspirar os dois, que unem seus sonhos em um só: a inauguração a roller-disco que dá título ao filme. No meio disso, Kira e Sonny se apaixonam, claro.

Xanadu teve sua pré-produção iniciada como um musical para faturar na moda da roller-disco (misto de discoteca com pista de patinação), muito popular no final dos anos 70. A partir daí, misturou, além de elementos dos anos 70 e 80 (como sintetizadores, patins e disco music), modismos dos anos 40, como as Big Bands ao estilo de Glenn Miller. Se a mistura funciona, não importa. No final das contas, o filme virou "uma apoteose kitsch e antológica, com Gene Kelly pagando mico na cena final", como um programa sobre cinema da extinta TV Manchete o descreveu.

Gene Kelly, Olivia Newton-John e Michael Beck
Isso só conta pontos a favor do filme, claro, uma deliciosa incursão no mundo das comédias românticas musicais, como podemos dizer... pouco convencionais, para ser bem contido. Açucarado e colorido, Xanadu surpreendeu pela ousadia ao colocar Gene Kelly, uma lenda viva do cinema musical - astro de filmes como Cantando Na Chuva - no papel de um dos protagonistas. E o bom velhinho ainda mostra que consegue se equilibrar sobre patins! É isso mesmo, aos 68 anos de idade. Genial. Pena que foi o último filme de Gene...

Tudo isso é embalado por uma trilha sonora ma-ra-vi-lho-sa, com canções inesquecíveis de Olivia Newton-John e do grupo Electric Light Orchestra (ELO), também super em alta nos anos 70. Hits de Olivia como Xanadu, Magic, Suddenly (dueto com Cliff Richard) e da ELO como All Over The World e I'm Alive (todos compostos especialmente para o filme) são populares ainda hoje. Até Gene Kelly fez dueto com Olivia em Whenever You're Away From Me, onde tentam recriar um aconchegante clima de anos 40.


As filmagens começaram no segundo semestre de 1979. Porém, muitos problemas atingiram a equipe de produção: o principal deles era a falta de um roteiro pronto (e precisava?). Os roteiristas eram obrigados a reescrever cenas o tempo todo, o que acabou afetando o trabalho dos atores. Outro problema foi o orçamento, antes modesto, e que acabou saindo do controle com a adição de grandes efeitos especiais, campanhas publicitárias excessivas (antes mesmo do término das filmagens) e a construção de um set que custou mais de um milhão de dólares.

Mesmo com as eventuais mudanças de rumo no roteiro, Xanadu não foi fruto de uma viagem de LSD de seus roteiristas (como pode parecer). Excessos à parte, foi baseado na história de um filme de 1947, Quando os Deuses Amam (Down to Earth), com Rita Hayworth no papel da musa inspiradora que desce à Terra e se apaixona por um mortal.

Com o término das filmagens, teve início um grande esquema publicitário, que envolveu desde programas especiais de Making Of na TV até lojas (como a C&A) vendendo roupas inspiradas nos figurinos do filme, revistas, pôsteres e outros badulaques. Porém, o que mais divulgou Xanadu foi sua trilha sonora, um enorme sucesso. A estréia nos Estados Unidos foi no dia 8 de agosto de 1980. Apesar de ter coberto seus custos, o filme não deu grande lucro por lá, mas fez boas bilheterias em países como Austrália, Japão, Alemanha e aqui no Brasil.

A crítica americana foi unânime ao classificar o filme como insosso e mal dirigido. O crítico Roger Ebert afirmou: "Xanadu é uma fantasia musical sem graça e fraca, tão sem substância que constantemente evapora sob nossos olhos". No entanto, com o passar do tempo e com os anos 80 voltando à moda, a crítica reconheceu o valor de Xanadu como entretenimento. O respeitado crítico James Berardinelli publicou uma crítica, 26 anos após a estréia do filme, dizendo que "Xanadu pode até não ter atingido as ambições originais de seu diretor mas, ao falhar tão espetacularmente, se tornou algo maior". Um reconhecimento mais que digno.

Olivia Newton-John
Xanadu ainda inspirou - junto com o filme do Village People, A Música Não Pode Parar (Can't Stop The Music) - John Wilson a criar o Troféu Framboesa. O curioso é que Olivia Newton-John recusou o papel principal feminino em A Música Não Pode Parar (que acabou sobrando para Valerie Perrine) justamente para estrelar Xanadu. Mas não houve escapatória: os dois filmes estrearam praticamente juntos e tiveram o mesmo destino: críticas péssimas, apesar das trilhas sonoras imensamente famosas. Sem falar no grande feito de terem originado o famoso Troféu Framboesa!

Após o fracasso do filme, pouco se falou sobre ele até o início de um revival dos anos 80, no começo dos anos 2000. A trilha sonora foi recuperada em festinhas do gênero e o filme caiu no gosto de diversas tribos: a dos fãs de filmes trash (por trazer efeitos considerados ingênuos e risíveis para os dias de hoje), os fãs de camp films (por trazer atuações, figurinos e roteiro exagerados), fãs dos anos 80 (por ser o grande marco do final da era disco e antecipar a estética da década) e dos GLS (por trazer a Olivia Newton-John no elenco e pela trilha sonora disco). Em 2007 o filme ganhou até versão na Broadway, imaginem só! Com ou sem patins, esse mundo dá voltas...

DVD "Golpe Sujo" no Brasil

Finalmente, mesmo com muito tempo de atraso, um dos meus filmes favoritos, Golpe Sujo (Foul Play, 1978) chegou ao Brasil em DVD. Há alguns anos comprei a edição americana, não consegui esperar. E agora tenho a grata surpresa de vê-lo em edição nacional, ainda que seja uma edição pobre (o DVD não traz curiosidades nem extras). Mas se serve de consolo, a edição americana não é menos pobre nesse sentido.


Só não entendi por que em DVD mudaram o nome "Golpe Sujo" para "Jogo Perigoso". (O título original, Foul Play, corresponde à tradução em português - 'golpe sujo'). Quando assisti esse filme pela primeira vez, há muito mais de uma década atrás, lembro-me de tê-lo alugado (em VHS, naturalmente) em uma videolocadora. O título era Golpe Sujo mesmo. Depois cheguei a revê-lo várias vezes nas madrugadas da Globo e acho que até hoje tenho a versão dublada gravada da TV.

Gloria Mundy (Goldie Hawn)
A história, uma comédia com toques de paródia hitchcockiana e várias referências, é divertidíssima. Goldie Hawn é Gloria Mundy, uma solitária bibliotecária que, voltando da festa de uma amiga, dá carona a um atraente homem que encontra na estrada. Acaba envolvida em uma teia de assassinatos ao descobrir, acidentalmente, um complô para assassinar o Papa Pio XIII durante sua visita à São Francisco, Califórnia, onde se passa o filme.

A pacata vida de Gloria vira de pernas para o ar quando um grupo de vilões esquisitos passa a persegui-la, em busca de uma prova que ela nem imagina qual seja. O detetive Tony Carlson (Chevy Chase, em sua bem-sucedida estréia no cinema) é designado para protegê-la dos perigosos assassinos. Entre investigações e buscas, Tony e Gloria se apaixonam. A trama parece simples, mas a história é cheia de viradas e surpresas, ainda mais quando aparece na história o azarado Stanley, personagem de Dudley Moore, que deixa tudo ainda mais atrapalhado. 

Dudley Moore vive o atrapalhado Stanley
 Goldie Hawn, que na época já era uma atriz bem conhecida (em 1970 ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por Flor de Cacto), teve a merecida chance de protagonizar Golpe Sujo e tornou-se ainda mais popular devido ao sucesso de bilheteria do filme. Hawn se consagraria definitivamente nas décadas seguintes ao estrelar várias comédias de sucesso como A Recruta Benjamin (Private Benjamin, 1980), Um Salto Para a Felicidade (Overboard, 1987), Alta Tensão (Bird on a Wire, 1990), A Morte Lhe Cai Bem (Death Becomes Her, 1992) e O Clube das Desquitadas (The First Wives Club, 1996) entre outras.

Gloria Mundy (Goldie Hawn) na biblioteca 
O engraçado é que Farrah Fawcett, símbolo sexual da época, foi a primeira opção para viver a personagem Gloria Mundy. Porém a Paramount optou posteriormente por Goldie Hawn porque Farrah estava presa a questões contratuais. "[Aaron] Spelling e [Leonard] Goldberg [produtores da série de TV As Panteras] fizeram uma advertência a todos os estúdios dizendo que eles os processariam por danos caso me contratassem", declarou Farrah à Associated Press em 1979. A atriz ainda era contratada da Spelling-Goldberg Productions quando deixou As Panteras, no auge da série.

Conhecido por roteiros como Ensina-me a Viver (Harold and Maude, 1971) e por ter dirigido também as comédias Como Eliminar o Seu Chefe (9 to 5, 1980) e A Melhor Casa Suspeita do Texas (The Best Little Whorehouse in Texas, 1982), Colin Higgins escreveu e dirigiu Golpe Sujo. Higgins teria se tornado um prolífico especialista em comédias sofisticadas se não tivesse morrido prematuramente de AIDS, aos 47 anos.

"Ready to Take a Chance Again", hit de Barry Manilow
A trilha sonora do filme, também deliciosa, conta com Barry Manilow na composição. Duas de suas canções que aparecem no filme tornaram-se hits mundiais: Ready to Take a Chance Again(composta especialmente para a personagem de Goldie Hawn e indicado ao Oscar de Melhor Canção Original em 1979) e Copacabana. Aqui no Brasil, Ready to Take a Chance Again foi tema de comercial do cigarro Luiz XV no final dos anos 70.

Golpe Sujo é diversão gostosa, bem feita e despretensiosa, de um tempo em que as comédias não eram tão previsíveis e repetitivas como hoje.

Isso aqui ô ô... é um pouquinho de Brasil iá iá...

Regina Duarte viveu a sofrida Raquel
"E o mistério chegou ao fim. Todo mundo já sabe quem matou Odete Roitman", disse William Bonner, então apresentador do Fantástico, no programa de 8 de janeiro de 1989. Um domingo que deixou saudades nos milhões de brasileiros que acompanharam os sete meses de emoção, romances, brigas pelo poder, disputas entre o bem e o mal e humor de Vale Tudo.

Como noveleiro assumido, confesso que nunca vi uma reprise causar tanto burburinho e atrair tamanha atenção (tanto da mídia quanto do público). Vale Tudo, que chega ao fim esta semana no canal a cabo Viva, ressurgiu com força total na vida de muitos brasileiros. Quando o Viva deu início à reprise, em outubro de 2010, vibrei - afinal, quando a novela foi exibida pela primeira vez, em 1988, eu tinha apenas 10 anos e acompanhei tudinho - mas não achei que essa reprise mais de vinte anos depois fosse cair na boca do povo. Por se tratar de um canal pago, julguei que só uma pequena parcela da população fosse acompanhar a novela de novo. Que nada. Esqueci que o número de assinantes de canais a cabo é cada vez maior e que mesmo para os que não assinam, é possível assistir no YouTube, na íntegra, capítulo por capítulo.

Beatriz Segall (Odete) e Glória Pires (Fátima)
Infelizmente não se consegue mais hoje nas novelas a comoção de antigamente. Vale Tudo é o melhor exemplo. Mesmo já tendo sido reprisada pela Globo em 1992, Vale Tudo permanece uma das novelas mais queridas e apreciadas pelo público, que nunca se cansou de clamar por sua volta. Mesmo já sabendo quem matou Odete Roitman, uma quantidade enorme de brasileiros acompanhou a reprise da novela com o entusiasmo da primeira vez. "Foi a melhor novela que a Globo já fez", declarou Beatriz Segall, a eterna Odete. Aliás, poucas vezes depois de Vale Tudo uma novela conseguiu prender o público com uma intensidade como aquela. E a nova geração que não assistiu à exibição em 1988 teve a chance de se deliciar com a trama de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères. Aliás, dizem que desde o término da novela Gilberto e Aguinaldo não se dão muito bem. Maria Gladys, que viveu a despachada diarista Lucimar, disse ao jornal Extra de hoje (10/07): "Encontrei Gilberto na rua e agradeci pela personagem. Sabe o que ele me disse? ‘Agradeça ao Aguinaldo, é ele quem escreve os papéis de pobre’". Se a rixa existe mesmo, não importa. O que vale é que a novela, além de fazer o país parar no final dos anos 80, inovou ao abordar uma série de questões até então tabus na teledramaturgia, como a impunidade à corrupção no Brasil.

A novela fez uma forte crítica social com a pergunta "Vale a pena ser honesto no Brasil de hoje?", algo direto demais para os padrões da época (não podemos esquecer que o Brasil tinha se livrado da ditadura apenas três anos antes). Eram tantos personagens marcantes e bem construídos, tudo era muito bem amarrado, não havia buracos nem encheção de lingüiça. Sem falar nas várias cenas antológicas, como os barracos homéricos da alcoólatra Heleninha (Renata Sorrah), as tramóias de Maria de Fátima (Glória Pires) e as tiradas ácidas e impiedosas da vilã Odete.

"O caldo nobre da galinha azul"
Odete Roitman foi assassinada na véspera do Natal de 1988, mais precisamente no capítulo 193. Nem preciso dizer que não teve festa enquanto o capítulo não terminasse. O comentário da ceia natalina daquele ano foi, claro, a morte de Odete. Não havia um brasileiro sequer que não quisesse saber quem havia abatido a megera a tiros. Cada um tinha um palpite diferente. A Maggi, uma das maiores fabricantes de caldo de galinha da época (quem não se lembra do jingle "Caldo Maggi, o caldo nobre da galinha azul"?) tratou de promover um concurso para saber quem havia matado Odete Roitman. O mistério foi alvo de incontáveis apostas, rifas e sorteios. E eu, apesar de criança na época, também queria ficar rico, assim como vários personagens de Vale Tudo, ora! Participei do concurso, mas infelizmente não venci, para minha grande frustração. Eu nutria a esperança, confesso, de que Odete pudesse me render o prêmio de cinco milhões de cruzados. Era só mandar uma carta para a Maggi dizendo quem tinha matado Odete Roitman e responder 'qual o caldo nobre da galinha azul'. Moleza! Mas quem ganhou foi uma menina também de Minas, não lembro a cidade agora. E era só um pouco mais velha do que eu! Odete ficou me devendo essa...

Saiba mais sobre Vale Tudo aqui.

33 anos depois... quem vai matar Salomão Hayalla?

É, já não se fazem mais novelas como antigamente. Isso não é novidade nenhuma. Nosso maior produto - sim, podemos nos orgulhar de produzir as melhores telenovelas do mundo, sem nenhuma vergonha - anda meio enxovalhado. Não quero generalizar, é claro que ainda existem bons autores, bons artistas e emissoras empenhadas. Mas com a morte de grandes autores (Janete Clair, Cassiano Gabus Mendes, Dias Gomes), o time de novelistas anda desfalcado há muito tempo. Vários nomes desaparecem na mesma velocidade com que surgiram e até mesmo autores de grandes sucessos da teledramaturgia brasileira nas últimas décadas (Manoel Carlos, Silvio de Abreu, Gilberto Braga) parecem estar perdendo o fôlego a cada nova trama.


De uns dez anos pra cá as novelas andam menos atrativas para o grande público. Tudo bem que com o advento e a respectiva popularização da TV a cabo, dos computadores e da internet, a TV aberta perdeu uma enorme parte de seu público. As crianças e os jovens de hoje, por exemplo, passam muito mais tempo na internet e nos canais pagos (vendo as séries americanas) do que assistindo novela, como era comum até o final dos anos 90. Aliás, a maioria nem acompanha mais as novelas atuais.

Verdade seja dita: as tramas não têm conseguido prender o público como antes e perderam muito de seu apelo. Os motivos podem ser variados: escassez de boas histórias, falta de afinação nos elencos e desgaste de temas são alguns deles. O ritmo das histórias também mudou, tudo ficou subordinado ao marketing e à publicidade. O público esquece dos personagens rapidamente, ao contrário do que acontecia antigamente, quando os personagens viravam ícones nacionais por anos, até décadas. As trilhas sonoras não são mais bem exploradas e utilizadas como antes. As canções e temas não são marcantes e nem sequer são mais associadas aos personagens. O gênero passa por uma transição (ou adaptação aos novos tempos), isso é visível.

Em meio a essas mudanças, surge um filão: o remake (versão atualizada de uma novela antiga). Cada vez mais freqüente, os remakes têm conseguido elevar os índices de audiência e cativar o público. Sempre que um horário vai mal das pernas, dá-lhe remake! Foi o caso dos remakes dos últimos anos, como Cabocla, Sinhá Moça, O Profeta, Paraíso, Ti Ti Ti (mesclada com Plumas e Paetês), todas da Globo. Sem falar em tentativas de outros canais, como A Escrava Isaura, da Record, e Uma Rosa Com Amor, do SBT. A grande promessa agora é O Astro, remake de uma das novelas brasileiras de maior sucesso de todos os tempos. Exibida originalmente pela Rede Globo entre 6 de dezembro de 1977 e 8 de julho de 1978, às 20 horas, foi escrita por Janete Clair e dirigida por Daniel Filho. Até hoje o público daquela época se lembra da novela, dos personagens, das músicas. E é claro, do primeiro "quem matou?" em novelas que realmente mexeu com os brasileiros. Quem matou Salomão Hayalla? Essa pergunta ecoa no imaginário popular coletivo do Brasil desde aquele distante 8 de julho de 1978, há exatos 33 anos.

Considerada uma das melhores novelas já produzidas, O Astro obteve índices de audiência superiores aos das transmissões dos jogos da seleção brasileira na Copa da Argentina em 1978 - 80% em média (algo inimaginável nos dias atuais). Três dias depois da novela sair do ar, Carlos Drummond de Andrade escreveu em sua coluna no Jornal do Brasil: "Agora que O Astro acabou vamos cuidar da vida, que o Brasil está lá fora esperando". Foi nessa coluna que Drummond deu um apelido a Janete Clair: Usineira dos sonhos.


O remake da novela, a cargo de Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro, estréia na próxima terça (dia 12/07), com direção de Mauro Mendonça Filho. Vai inaugurar um novo horário para a teledramaturgia na Globo: de terça a sexta-feira, às 23h. (Nos anos 70 existiam as 'novelas das dez', de temas, digamos, mais 'adultos', que iam ao ar às 22h. Esse horário de novelas foi extinto no final daquela década).

O retorno de O Astro à tela da Globo, como minissérie em 60 capítulos, é a aposta de peso da emissora para comemorar os 60 anos da teledramaturgia brasileira e abrir uma possível faixa de remakes às 23h. Ao que tudo indica, a produção pra lá de esmerada deve despertar o interesse do público e revitalizar esse gênero que faz parte do cotidiano dos brasileiros tanto quanto o futebol e o Carnaval.

Mais sobre a novela:

Sigam-me os bons

Lá se vai quase um ano desde minha última postagem. Há alguns anos, quando iniciei este blog, já havia me justificado com meus possíveis leitores sobre minha relutância - para não dizer preguiça - em escrever com freqüência e manter o blog sempre atualizado. Não adianta, não sou daqueles que conseguem entupir o blog com posts diários. Vou tentar, digamos, ser mais presente. Quem tiver paciência, ótimo. Sugestões, críticas e opiniões serão sempre bem-vindas.

O motivo que me levou a querer escrever este post foi, mais uma vez, minha resistência à tecnologia moderna. Mas posso dizer que evoluí (?) um pouquinho, pois criei uma conta de twitter há alguns meses e desde semana passada tenho acessado a ferramenta diariamente, ainda que eu prefira ler a emitir opiniões e postar comentários. Timidez natural de iniciantes. Graças à minha antenadíssima amiga Érica Abe, que pacientemente me ensinou a lidar com os recursos do twitter, sucumbi a essa febre da atualidade. (O Facebook já havia me fisgado há pouco mais de um ano). Agora que tenho twitter, posso dar uma de Chapolim Colorado e dizer: "sigam-me os bons!". A quem interessar possa, meu twitter é http://twitter.com/#!/danielcouri 
Não que eu tenha me rendido à pressão tecnológica que nos cerca 24 horas por dia. Demoro muito tempo até me deixar 'sucumbir' e mesmo assim, não consigo me viciar completamente. Acontece que por ter incluído o twitter nos meus 'afazeres internéticos' habituais, não pude deixar de me sentir menos apegado às minhas convicções - afinal, tantas vezes proclamei que achava o twitter uma inutilidade sem tamanho, uma bobagem, que eu jamais teria um e de repente, aqui estou eu, aumentando o cordão dos seguidores. Mas não tenho a menor pretensão de ser o recordista mundial de seguidores, nem o nacional, nem o estadual, nem nada. Quero apenas usá-lo e tirar proveito quando me for útil ou me divertir quando for conveniente. Pois bem, peço desculpas a dois dos meus ídolos - Elton John e Woody Allen - por ter aumentado as estatísticas dos twiteiros. "Twitter? Não faço ideia do que seja isso", disse Woody Allen em entrevista recente sobre o lançamento de seu filme Meia Noite em Paris. "Mas o Facebook eu conheço, porque assisti ao filme (A Rede Social) e gostei. Portanto, sei o que é o Facebook. E tenho um site meu na Internet, que nunca vi na vida. Não faço idéia se funciona nem qual seria sua utilidade, mas algumas pessoas o criaram para mim". Na mesma entrevista, quando perguntado sobre como se adapta ao mundo de iPods e iPads, Allen respondeu: "Tenho um telefone e um celular, mas só o que consigo no celular é fazer e receber telefonemas. Não tenho qualquer outra utilidade para ele - não tenho, como se chama um número de texto? Você já viu pessoas idosas que colam uma fita sobre muitos dos botões de seus televisores, para não cometer um engano? Para que não possam acessar aqueles botões e consigam apenas ligar e desligar o televisor? Eu sou exatamente assim. Enquanto houver apenas dois botões para pressionar, eu dou conta". (Quem quiser ler a entrevista na íntegra, acesse http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2011/06/22/woody-allen-fala-sobre-nostalgia-aversao-tecnologia-escandalos-de-sua-vida-924744765.asp)

Li também uma entrevista ótima com Elton John na Rolling Stone de março, em que ele afirmou: "Eu sou o maior ludita [que se opõe a novas tecnologias]. Não tenho iPad, iPhone, computador nem telefone celular. Eu nem sabia mexer em um iPod - é ridículo". Imposível que eu não me identifique com tais declarações. Quem me conhece sabe. E isso sem querer me gabar ou me envergonhar. Não acho que seja defeito e tampouco qualidade. É assim que eu sou e assim vou tentando me adaptar às mudanças da tecnologia, mas sempre no meu tempo e se eu achar que aquilo realmente vai me trazer algum tipo de benefício, seja no trabalho ou no lazer. Por isso sei que, apesar deste blog já ter uns três anos, não sou um blogueiro, definitivamente. Escrevo quando me dá na telha ou quando me sinto impelido a escrever sobre determinado assunto (que seja interessante ou divertido para mim). É claro que compartilhar gostos e preferências é muito bom e acho ótimo quando alguém me escreve para trocar figurinhas sobre um assunto que abordei aqui, por mais supérfluo que pareça. E sem culpa nenhuma. “Dê-me o supérfluo que eu abro mão do essencial”, já dizia Oscar Wilde. Que me desculpem os aficcionados por novas tecnologias, mas esse supérfluo tem que ser essencial para mim.
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