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Abra suas asas, solte suas feras...


Há exatos 31 anos ia ao ar o último capítulo de um dos maiores fenômenos da teledramaturgia brasileira: Dancin' Days. Em 27 de janeiro de 1979 o Brasil parou para acompanhar o fim da trama de Gilberto Braga, que havia hipnotizado o país nos últimos seis meses. Escrita por Gilberto Braga e dirigida por Daniel Filho, entre outros, a novela foi o berço de vários astros e estrelas que definiriam a próxima década. A trama era bem simples (mais uma prova de que de para uma novela fazer sucesso não são necessários enredos mirabolantes nem complexos): acusada de atropelar e matar um guarda noturno, Júlia Mattos (vivida por Sônia Braga) é condenada a 22 anos de prisão. Após cumprir metade da pena, consegue liberdade condicional. Júlia tenta a duras penas reconstruir uma vida normal e se livrar do estigma de ex-presidiária. Seu maior desafio é reconquistar o amor da filha Marisa (Glória Pires). A menina foi criada pela irmã de Júlia, Yolanda Pratini (Joana Fomm) e seu marido Horácio (José Lewgoy), um casal conhecido da alta sociedade carioca. Mas Yolanda, com medo de perder a sobrinha, dificulta a aproximação entre mãe e filha. A rivalidade entre as duas irmãs é o tema entral da trama. E também o conturbado romance entre Júlia e Cacá (Antônio Fagundes).


Lídia Brondi, Lauro Corona e Glória Pires - ainda bem jovenzinhos - foram alçados à categoria de estrelas da nova geração. Sônia Braga ditou oda om suas calças de cetim estil boxeador e meias soquetes de lurex com sandálias salto agulha. Nem é preciso dizer que a novela virou coqueluche no Brasil, espalhando de vez a moda das discotecas por aqui.


Com Dancin' Days Gilberto Braga se consagrou como autor de novelas das oito e inauguru seu estilo dramatúrgico, marcado pela crônica de costumes e pela discussão dos valores da classe média e das elites urbanas. Dancin' Days mereceu até mesmo uma reportagem na revista norte-americana Newsweek, em novembro de 1978, destacando a influência que exercia sobre os hábitos de consumo do público. O tema de abertura, das Frenéticas, é hit obrigatório das festas até hoje.

Síndrome de Estocolmo


Quando o ABBA venceu o Eurovision Song Contest em Brighton, Inglaterra, em 1974, a música pop sueca não passava de uma exótica forasteira. Naquela época ninguém poderia sequer sonhar que três décadas mais tarde haveria uma boite dedicada à música sueca em Brighton, com o nome de Sweden Made Me (algo como “A Suécia me fez” ou “A Suécia fez minha cabeça”). Na década de 1990 a música sueca ficou tão internacionalizada que muitos nem mais se preocupavam em refletir sobre suas origens.

Não só é difícil crer que artistas como The Cardigans sejam suecos, como também muitos compositores e produtores suecos haviam começado a trabalhar com artistas estrangeiros. Por meio do produtor Max Martin (Martin Sandberg) e seus colegas, mais sucessos foram gravados em Estocolmo no final dos anos 90 do que em qualquer outra cidade do mundo. A Suécia surgiu de repente como o terceiro mais importante produtor de música popular depois dos Estados Unidos e da Inglaterra. E o ABBA certamente abriu caminho para isso. Sucessos globais de Britney Spears, Backstreet Boys, N’Sync e muitos outros foram escritos e gravados na Suécia, embora a maioria dos consumidores de música pop ignorem esse fato.

Em um artigo sobre a música sueca no jornal The Guardian, de setembro de 2006, o fundador da boite, Rob Sinden, explicou por que resolveu abrir o Sweden Made Me. “Mais por causa do som desses discos do que pela língua em si”, afirmou. “É música caseira, feita no quarto. Existe toda essa coisa do ‘faça você mesmo’. Mas feito com orgulho, com satisfação verdadeira, que atrai os fãs ingleses de música indie.”

Brighton não é a única cidade da Inglaterra onde uma boite de música sueca foi aberta. Em Londres existe a Tack! Tack! Tack! e em Glasgow há outra, chamada Sounds of Swden (“Sons da Suécia”), só para dar alguns exemplos. Enquanto a cena sueca do ‘faça você mesmo’ – com artistas gravando em casa – cresceu, Estocolmo ficou famosa no século 21 por ser reconhecidamente uma fábrica de sucessos dançantes da música pop, altamente tecnológica, similar ao que foi Detroit nos anos 60. Madonna e várias outras estrelas do mundo da música foram para a Suécia gravar canções de sucesso, compostas e produzidas por suecos.

Hoje a música sueca está tão espalhada pelo mundo quanto os móveis da Ikea ou as roupas da H&M. E desde que o MySpace revolucionou a cena musical virtual, o reduzido tamanho da Suécia e sua localização geográfica deixaram de ser vistos como desvantagem. Todos viraram vizinhos. A série de TV The OC – Um estranho no paraíso, gravada na Califórnia, já usou mais de uma dúzia de músicas suecas como trilha sonora – o que revela quão internacionalizada a música sueca se tornou.

SBT e seu pacote de filmes nos anos 80


Filme antigo é um tema mais que recorrente neste blog. Acho inevitável essa nostalgia. Quando me lembro dos filmes que eram exibidos na TV durante minha infância na década de 1980, sinto imensa saudade e lamento que os filmes que a TV exibe atualmente sejam tão idiotas e sem graça. Minha nossa, o que era o Cinema em Casa do SBT (naquele tempo, ainda TVS)? Silvio Santos tinha meia dúzia de filmes que reprisava incessantemente. À noite os filmes eram exibidos depois do Programa da Hebe, da Praça é Nossa ou do Viva a Noite (do Gugu). Quem era criança nos anos 80 seguramente se lembra de assistir no SBT, praticamente todo mês, "Bem Vindo ao Lar Bobby", "Um Lobisomen Americano em Londres", "O Exorcista", "Férias do Barulho", "O Segredo de Kate", "A Coisa" e alguns outros. A Globo também tinha suas pequenas obras-primas, mas como o SBT reprisava demais os filmes, é impossível ter passado por aquela década sem ter visto esses filmes. (Deixarei a Sessão da Tarde, da Globo, para um outro post). Então, para os órfãos do Cinema em Casa do SBT, farei uma lista com uma pequena descrição de cada um. Vale lembrar que é quase impossível conseguir a maioria desses filmes em DVD aqui no Brasil. Muitos deles eram produções baratas, feitas para a TV americana. Alguns não chegaram a ser lançados nem em vídeo. Mas é claro, com a Internet e o Google hoje em dia, pode-se baixar praticamente qualquer coisa. Se alguém tem esses filmes ou sabe como obtê-los, me avise please.


O Segredo de Kate (Kate's Secret, 1986): Este drama feito para a TV americana marcou época. A personagem-título (vivida pela rainha dos TV movies, Meredith Baxter) é uma bela dona de casa casada com um bem-sucedido advogado. Ela tem o que se poderia chamar de uma "vida perfeita", mas esconde sua bulimia e sua compulsão pela prática de exercícios físicos. Várias cenas marcantes, entre elas as cenas em que Kate entra no supermercado, come diversos produtos e depois sai para vomitar. (Bons tempos quando os superm ercados não tinham vigilância e nem os produtos tinham código de barras! Kate atacava as guloseimas e comia horrores).

Bem Vindo ao Lar, Bobby (Welcome Home, Bobby, 1986): Mais um polêmico filme feito para a TV. O universitário Bobby é preso em uma área gay, com drogas, e é preso. As investigações revelam que ele manteve relações com um homem mais velho. Daí em diante sua vida vira um inferno, pois os colegas de faculdade passam a hostilizá-lo e querem sua expulsão, causando constrangimento à sua família. Apesar de sentir o "amor que não ousa dizer seu nome", Bobby é um ótimo estudante e apesar de ser rejeitado pelo pai severo, conta com o apoio da mãe, que luta para reintegrá-lo à vida social.

Um Lobisomem Americano em Londres (An American Werewolf in London, 1981): Este já adquiriu o status de cult hoje em dia. Dois estudantes americanos são atacados por um lobisomem durante uma viagem a Londres. Um morre, e o outro (vivido pela então promessa de jovem galã americano David Naughton) recebe a maldição da fera. Efeitos especiais muito bons para a época. Deixava qualquer criancinha de cabelo em pé.

A Coisa (The Stuff, 1985): Clássico absoluto da fase inicial do SBT, repetido à exaustão. Não há quem não tenha visto. Uma substância branca e gosmenta é encontrada nos cafundós dos EUA. Parecida com um iogurte, ou um sorvete, ou marshmallow e ainda por cima com um sabor delicioso e atrativo, a substância vira febre mundial e passa a ser vendida nos supermercados como uma sobremesa de luxo, com muita divulgação. Um espião industrial é contratado para descobrir qual a fórmula da substância misteriosa. E quando finalmente consegue, choque: a substância emana da terra, faz com que todo mundo que a coma seja devorado ou transformado em zumbi. Argh! Efeitos especiais (?) canhestros, mais para o humor negro do que para o terror. Imperdível.

Fuga de Nova York (Escape from New York, 1981): Ficção científica com Kurt Russell. A história se passa em 1997, em Nova York. A cidade se tornou uma prisão de segurança máxima, onde estão os piores criminosos. Fugir é impossível e entrar é loucura, mas quando o avião do Presidente cai em Manhattan, um condenado e ex-herói de guerra (Kurt Russell) fica incumbido de resgatá-lo. Em troca é oferecida a ele a liberdade. Quanta imaginação! Já estamos em 2010 e Nova York ainda não se parece nem de longe com a cidade do filme.

Turf Turf, o Rebelde (Turf Turf, 1985): Esse é do tempo em que James Spader não passava de um jovem galã iniciante. Prestes a terminar o terceiro ano do segundo grau, seu personagem se vê obrigado a mudar de estilo de vida e passa a freqüentar os subúrbios da cidade onde vive, ao invés do clube de garotos ricos. Ele já tem um histórico de problemas e é conhecido por seu temperamento esquentado. Na nova escola, ele acaba se envolvendo com a namorada do líder da gangue. Visto hoje tudo parece tão ingênuo! Mas na época até que causava um efeito. Detalhe: Robert Downey Jr., que também está no filme, ainda era um completo desconhecido.

Juventude Perdida (The New Kids, 1984): Do mesmo diretor de Sexta-Feira 13. Após a morte dos pais em um acidente de carro, uma bela adolescente e seu irmão são obrigados a viver na casa de parentes distantes no interior da Flórida. Quem não gosta nada dos novos moradores é o líder de uma gangue de jovens delinqüentes que, ao ser rejeitado, resolve transformar a vida do casal de irmãos em um verdadeiro inferno. Haja originalidade...

Angel (Angel, 1984): A adolescente Molly, de 15 anos, é a melhor aluna de sua classe. Mas o que ninguém nem desconfia é de como a garota-exemplo do colégio ganha seu dinheiro: como prostituta à noite, sob o nome de "Angel". A aparentemente perfeita organização de sua vida dupla se desfaz quando duas de suas 'colegas' de trabalho são mortas por um serial killer. Angel é a única testemunha e se torna alvo do maníaco. "Aluna de honra durante o dia, prostituta de Hollywood durante a noite". Não há amante de filmes de segunda que resista a este.

Férias do Barulho (Private Resort, 1985): Outro clássico indefectível do SBT. O até então desconhecido garoto Johnny Depp vive um adolescente que vai passar alguns dias num resort com seu amigo. O que eles querem é sexo e garotas (a tônica das comédias jovens dos anos 80) e para conseguir, se metem em confusões e baixarias. E a bagunça aumenta quando cruzam com um ladrão de jóias que está no mesmo hotel, e que se veste de mulher para fugir da polícia enquanto rouba hóspedes. Recheado de cenas de seminudez. É uma espécie de "pornochanchada americana", só que com roteiro.

A Incrível Mulher Que Encolheu (The Incredible Shrinking Woman, 1981): "Ela começou a encolher por não ser notada por ninguém? Ela começou a encolher porque seu papel de dona de casa era inferiorizante?" Um dos meus favoritos! Lily Tomlin vive uma dona de casa americana que começa a ser afetada por produtos de limpeza, de cozinha e cosméticos. Ela vai encolhendo gradativamente até ficar menor que uma boneca. O marido, executivo de uma agência de publicidade, tem boa parte da culpa no encolhimento da mulher. O filme é uma espécie de remake de um clássico dos filmes B dos anos 50, O Incrível Homem que Encolheu. Mas não funcionou. A crítica caiu matando, claro. Mas foi um dos que mais curti na infância (em parte por adorar Lily Tomlin).

Big Brother Brasil parte 10 - A (eterna) missão


Longe de mim condenar os inúmeros fãs do Big Brother Brasil, até porque nas duas ou três primeiras edições eu estava entre eles - aqueles que votavam, vibravam, assistiam. Mas tomei uma birra danada, como se diz. Hoje não tenho a menor paciência, acho de uma chatice sem tamanho. É a repetição da repetição, tudo previsível demais, os mesmos estereótipos, os mesmos clichês, os mesmos corpinhos sarados prontos para pularem direto para as capas da Sexy, da G Magazine ou da Playboy. E depois desaparecem para todo o sempre, que é o destino de 99% dos big brothers. Como a tortura já recomeçou, tenho que aturar diariamente na TV e na Internet, sem parar, os flashes, comentários, especulações e atualizações sobre o programa. É quase impossível não saber o que se passa no BBB, mesmo que você não assista, como é o meu caso. Mas fãs do programa, não me joguem na fogueira. Só estou expressando meu tédio diante de tanta repetição. Cada um sabe a alegria e a dor de ser o que é... Lembrei-me de uma crônica do Manoel Carlos publicada em seu livro A arte de reviver, da Ediouro, lançado em 2006. Transcrevo aqui uma pequena parte que traduz bem o que sinto:



Já bem tarde, alguém ligou a TV e entraram as imagens do programa Big Brother Brasil. Camilo perguntou sem ironia:

- Esse programa ainda existe?

- Claro! Tem uma audiência enorme - informou alguém.

- O brasileiro, antes de ser um cidadão, um nome, uma personalidade, é um telespectador - definiu Camilo.

O Chico emendou:

- Até hoje não entendi direito o que toda essa gente ganha estando aí, como num aquário. Alguém sai com um milhão de reais, tudo bem, mas e os outros?

- Tenho uma amiga que está dura, cheia de problemas, devendo dois mesesde aluguel, e no entanto para para assistir o BBB a noite toda, através da TV - comentou Marisa, até então calada.

Camilo foi definitivo:

- As pessoas não aspiram mais a um trabalho, mas a uma projeção. Não querem ser respeitadas, mas invejadas. Não buscam o aplauso, mas o oba-oba! É a celebração da mediocridade. Acho que gente assim precisa de atendimento.

Happy new (?) year


Olá a todos os meus leitores (hello! tem alguém aí? alguma vez houve alguém aí?). Pois muito que bem, eu estou de volta com meu humilde blog, há tanto tempo empoeirando. Apesar de achar meio pretensioso usar o próprio nome para batizar um blog. A menos que você seja Bill Gates, Barak Obama ou Gisele Bündchen. Mas no meu caso foi simples falta de imaginação mesmo. O que importa é que voltarei com meus posts. Às vezes tratando de assuntos sérios e temas sensíveis, outras apenas tratando das boas e velhas frivolidades e superficialidades. (E como disse Oscar Wilde, "nada mais essencial que o supérfluo").


E para não dizer que não desejei feliz ano, aqui vai um poeminha de Carlos Drummond de Andrade para saudar 2010 (embora tenha sido publicado no Jornal do Brasil em 22 de dezembro de 1979):



A Máquina do Tempo


Se a máquina do tempo nos tritura,
ao mesmo tempo cria imagens novas.
Renascemos em cada criatura
que nos traz do Infinito as boas novas.

Poema de Natal


Poema de Natal

Vinicius de Moraes


Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
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